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Feminicídios: Números da violência contra a mulher em Pernambuco 

A Coordenadora Regional do Instituto Fogo Cruzado reforça a importância da celeridade e precisão dos dados na prevenção contra a violência de gênero

Por: Redação CBN

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Maio de 2026. O primeiro trimestre do ano já ficou para trás. No entanto, para muitas famílias de Pernambuco, o rastro de violência contra a mulher deixou uma marca impossível de ser apagada.

Em 2026, segundo informações da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, nos três primeiros meses do ano, foram contabilizados 23 feminicídios no estado. Mas por que a conta desses casos nunca parece fechar e ainda demora para aparecer nos portais da transparência?

Feminicídios: Números da violência contra a mulher em Pernambuco by CBN Recife
CBN Recife
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Ana Maria Franca, Coordenadora Regional do Instituto Fogo Cruzado, comenta sobre a divulgação dos dados em Pernambuco. “Esses dados são divulgados pelo Estado mensalmente. Há cada 3 meses tinha um lançamento de um boletim que era mais completo ali, mas ainda não tinha o que a gente chama de microdados, com informações sobre bairro, por exemplo, coisas que a gente divulga quando a gente tem essa informação. Então, acho que é um combinado de metodologia com falta de transparência mesmo por parte do Estado para não divulgar isso em tempo real”, avalia.

Ana Maria Franca – Coordenadora Regional do Instituto Fogo Cruzado

Enquanto os dados do Estado passam por uma longa esteira de checagem, a sociedade civil tenta preencher essa lacuna. É o caso do Instituto Fogo Cruzado, ONG que utiliza a metodologia “Geração Cidadã de Dados”, a partir de rondas nas redes sociais e em portais de informação para tomar conhecimento dos casos de violência armada, como explica Ana Maria Franca. “A gente ainda tem um aplicativo de celular onde as pessoas podem mandar essas informações, que chegando pelo aplicativo há um cruzamento de informações para poder checar de fato que aquela ocorrência aconteceu, e só depois dessa checagem feita é que a gente lança esse registro no banco de dados. Temos várias etapas de conferência desse registro, porque esse registro vai gerando estatísticas, e a partir do banco de dados a gente publiciza”, detalha.

Mas, no vácuo de informações detalhadas e claras sobre o real panorama de violência em Pernambuco, surge um questionamento: a quem interessa um dado oficial menos alarmante? Para Ana Maria Franca a omissão dos registros em tempo real é uma forma de atenuar uma realidade que as ruas já conhecem. “Quando o estado divulga seus dados abertamente, ele vai depor contra si, no caso de Pernambuco, é um estado que nunca sai ali dos primeiros lugares nas taxas de violência do Brasil, né? Oscila um pouco, mas nunca sai desse lugar. Então, a gente ainda tá falando de um estado que é violento e nos últimos tempos tá sendo declaradamente violento contra as mulheres”, afirma.

Em nota, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco informa que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade permanente da política de segurança pública no estado, que é feito com ações de prevenção, acolhimento às vítimas e responsabilização dos agressores, além de ampliação na capacidade de atendimento nas unidades policiais.

Vítimas de violência podem acionar a Central de Atendimento à Mulher pelo 180, serviço de telefônico que funciona 24h por dia, todos os dias da semana.

Com edição de Daniele Monteiro e sonorização de Lucas Barbosa, reportagem Maria Luna.

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Acervo CBN

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