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Produção de suco de frutas cresce no Sertão


Por: REDAÇÃO Portal

Com a mudança de hábitos dos brasileiros e aumento do consumo nacional, as empresas enxergaram ali um caminho para agregar maior valor à cadeia produtiva das frutas da região sertaneja

Com a mudança de hábitos dos brasileiros e aumento do consumo nacional, as empresas enxergaram ali um caminho para agregar maior valor à cadeia produtiva das frutas da região sertaneja

Foto: A OQ tem capacidade de atender 18% do volume comercializado no mercado nacional /Foto: divulgação

08/05/2021
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Por Luciana Leão, do Jornal do Sertão

O aumento considerável do consumo nacional de suco de frutas, aliado ao esgotamento da capacidade de crescimento do cultivo nas regiões tradicionais no Sul do País, e a possibilidade de se ter um produto sempre jovem, obtido ao longo de todo o ano são características que colocam o Sertão pernambucano na rota de grandes produtores da bebida, principalmente, o suco de uva, com recorde de produção no Vale do São Francisco.

Em franco crescimento, o suco de uva é o mais consumido no mundo. Segundo o presidente da Valexport, José Gualberto de Freitas, apesar das exportações brasileiras ainda serem pequenas nesse item específico, existe um mercado aberto e de olho: a Europa. 

Atualmente, de acordo com pesquisas realizadas pela Embrapa, as principais uvas que se adaptaram são a Isabel Precoce, Cora, BRS Magna, Carmen, Rúbia e Violeta. Em termos de produtividade, o mercado brasileiro está na ordem de 150 milhões de litros/ ano de volume produzido de suco de uva integral.

O Brasil produz aproximadamente 1 milhão de toneladas de uva destinada para vinhos, espumantes e sucos.  Mas, segundo Gualberto, há espaço para crescimento de sucos se houver mais investimentos em pesquisas e recursos para que ocorra mais produtividade.

“Outras frutas também se inserem nesse mercado como pera, caqui e laranja. A região do Vale do São Francisco depende fortemente de investimentos em pesquisas e recursos para que ocorra mais atividade na agricultura irrigada, com diversificação das culturas e melhoria na infraestrutura econômica e social de toda a região e não apenas de Petrolina e Juazeiro, na Bahia. Sem esquecermos de investimentos em comunicação moderna para a área rural”, acrescentou.

Os big players de sucos no Vale

Atualmente no Vale do São Francisco os principais players estão concentrados nas vinícolas São Brás, Miolo Wine Group (Sunny Days - Terra Nova), vinícola Santa Maria (Rio Sol), terroir do São Francisco, grupo ASA (Palmeiron- Casa das Vinhas), Adega Bianchetti, Gran Valle e Timbaúba S.A (OQ Bebidas Saudáveis).

Alto valor agregado

Na década passada, a elaboração de suco era tida como um negócio inviável, mesmo com as condições favoráveis de solo e clima da região do Vale do São Francisco. Com a mudança de hábitos dos brasileiros e aumento do consumo nacional, as empresas enxergaram ali um caminho para agregar maior valor à cadeia produtiva em seus cultivares.

Exemplo inserido nesse contexto está a Timbaúba S.A, braço da agroindústria do grupo pernambucano Queiroz Galvão. Há 30 anos, a empresa plantava manga tipo Kent em uma pequena área em sua fazenda, em Petrolina, quase tudo para exportação. O foco era manga e uva de mesa. Depois, com estudos e pesquisas, começou a investir no cultivo de uvas para suco e também de coco.

Em 2010, o grupo que possui 1.000 hectares de área irrigada, resolveu plantar outras variedades de uvas como a BRS Magna, Isabel e a Carmen. “Plantamos ao longo de nossos estudos mais de 30 variedades de uvas para chegarmos a uma produtividade eficiente mais o sensorial adequado, unindo cor e sabor únicos ao nosso suco”, relatou o diretor comercial da Timbaúba S.A, Sydney Tavares.

O resultado dos investimentos em pesquisas foi o sucesso da marca OQ no suco de uva integral, em poucos anos.  Em recente pesquisa realizada pela ABRAS – Associação Brasileira de Supermercados - em parceria com a consultoria Nielsen, a marca surgiu como a terceira maior em faturamento nos sucos prontos para beber na região Nordeste durante o ano de 2020, ficando atrás apenas de gigantes como a Del Valle (Coca Cola) e a Natural One (Votorantim e Fundo de Investimento Gávea).

Diversificação da produção

Com capacidade de produção de 24 milhões de litros/ano, o grupo decidiu diversificar sua linha de produtos e passou a ser fornecedora de sucos concentrados para outros grandes players.

Muitas empresas sertanejas são fornecedoras de suco de uva integral para grandes players internacionais, como a Coca Cola/Foto: divulgação

Atualmente, no segmento de extração agroindustrial a Timbaúba S.A é contratada pela Coca Cola, Pepsico, Asa, Ambev, entre outras indústrias. Ou seja, dos 24 milhões de litros/ano de capacidade, ⅓ é destinado à produção do suco de uva Integral OQ; ⅓ para o sistema de co-packing (produção e envase em marca de terceiros, como Del Valle, por exemplo) e ⅓  para o fornecimento de matéria prima para outros fabricantes de sucos e bebidas.

Com essa tríade no modelo de negócio, a Timbaúba S.A agrega valor ao segmento agroindustrial, reduz possíveis riscos climáticos que possam ocorrer na região, escoando sua produção e amplia o mix de produtos.

 “Criamos um ativo intangível através da marca OQ, fugindo das commodities e oferecendo um produto com alto valor agregado e muito saudável, ainda mais importante em tempos de pandemia”, avaliou Tavares.

Crescimento do  Coco

Com uma área de 250 hectares de coco tipo anão, a Timbaúba S.A também mantém o mesmo modelo de negócio na agroindústria com viés de fornecimento do suco concentrado para outras empresas, assim como oferece o envasamento de aproximadamente dez milhões de litros de água de coco integral para grandes grupos do Sul e Sudeste do país.

“Nossos carros chefes são as uvas e o coco. No suco de uva integral temos capacidade de atender 18% do volume comercializado no mercado nacional atualmente. Mas nosso objetivo é crescer ainda mais. No coco, é o mesmo processo. Em 2020, em meio a pandemia, conseguimos crescer mais de 50% em relação a 2019, mantendo a média de crescimento dos últimos 3 anos”.

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