Quando Platão escreveu uma das passagens mais lembradas de sua obra a famosa “alegoria da caverna”, fez questão de expor o receio que o ser humano tem em buscar o novo para sua vida. Na verdade, há uma clara demonstração de que viver na sociedade encavernada é bem mais cômodo do que enfrentar novos desafios. Vivendo assim, torna-se naturalmente, o ser humanoalguém com total despreparo para enfrentar as agruras da vida, de onde, ao mesmo tempo, produz-se um povo sem a capacidade de pensar que o mundo lhe é apresentado pode não ser o real, mas o suficiente para permanência do status quo. E, assim, vai-se criando um povo sem a capacidade de discordar do que lhe é imposto, pois é proibido divorciar-se do trivial.
Lamentavelmente, estamos vivendo um momento em que a falta de uma leitura crítica e reflexiva vem ditando a forma de como se deve viver. Na verdade, é uma nova roupagem dada à sociedade da caverna platônica, com dois adendos estarrecedores: o primeiro deles é que, na caverna atual, não existe sequer algum facho de luz; e o segundo é que a dita caverna não possui saída. Não havendo luminosidade e nem saída, o que podemos esperar das voltas do “admirável mundo novo”? Será que é possível “educar alguém que já se sente educado”?
Sem ódio e sem medo.
Hely Ferreira é cientista político.








