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Política

“Fiquei frustrada com o meu partido”, diz Tabata Amaral ao “estadão”


Por: REDAÇÃO Portal

Declaração foi dada ao jornal “O Estado de São Paulo”

Declaração foi dada ao jornal “O Estado de São Paulo”

Foto: Reprodução internet

25/08/2019
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Em entrevista ao jornal “O Estado de São Paulo” deste domingo, a deputada federal Tábata Amaral (PDT-SP) diz que ficou frustrada com o seu partido por ter fechado questão contra a reforma da previdência.

Ela votou a favor da reforma e por isso está sendo ameaçada de expulsão, assim com o deputado pernambucano Felipe Carreras (PSB) que também responde a processo ético-disciplinar no seu partido pelas mesmas razões.

Confira:  

Estadão - O voto a favor do projeto de reforma da Previdência mudou sua forma de atuação na Câmara?

Tábata - Minha postura não mudou. Eu falo da reforma da previdência há dois anos. Uma das coisas que me levaram ao PDT e a fazer campanha para o Ciro Gomes foi o fato de eu ver nele uma liderança que era de centro-esquerda, assim como eu, mas que entendia que falta dinheiro para fazer política pública e que o Brasil precisava ser fiscalmente responsável. Vê-lo defender a reforma da previdência na campanha, quando ninguém falava disso, me deu muita certeza de pedir voto para ele.

Estadão - Então, por que o ruído com a sua posição na previdência?

Tábata - Fiquei muito frustrada com a falta de compromisso em relação ao que o PDT havia defendido na campanha eleitoral. Eu segui minhas convicções. Fui coerente. Talvez isso, na política tradicional, seja algo diferente.

Estadão - O deputado Felipe Rigoni (PSB-ES) externou antes da votação da previdência, publicamente, sua posição repetidas vezes. O PDT afirma que a senhora não.

Tábata - Discordo. Quem me perguntou, quem se preocupou, seja entrevistador, seja população, eu fui muito coerente. Eu acho que precisavam de um bode expiatório para este processo.

Estadão - Por quê?

Tábata - Foram 369 votos (a favor da Previdência). Imagino que o meu não foi surpresa nem para o Ciro, porque volta e meia a gente falava sobre a previdência. Agora, a razão de as pessoas trazerem esse tanto de acusações, não sei. Alguns se frustraram. Outros, por um pouco até de machismo. Vou ter de carregar por alguns anos o fato de ser a segunda mulher mais jovem daqui. Sou branca, tive um monte de oportunidade, estou aprendendo a minha quarta língua, mas também não sou uma pessoa típica de Harvard (Universidade americana, onde estudou). O lugar do qual eu venho é tão diferente que as pessoas não conseguem me encaixar nos seus estereótipos.

Estadão - Parte da bancada do PDT e o próprio Ciro veem sua atuação sendo pautada por agentes como a Fundação Lemann.

Tábata - Eu sei que tem várias teorias da conspiração. Eu acabo me aborrecendo às vezes. É o meu nome e eu batalhei muito para estar aqui. Trabalhei desde os sete anos de idade e vem um povo dizendo que fulano é responsável por tudo que você faz e como você vota. Tem muito machismo nisso também porque, se eu não fosse uma mulher de 25 anos, ninguém estaria dizendo que A, B, C ou D disseram como eu voto. Tem pessoas que não acreditam que eu tenha inteligência e capacidade de decidir o meu próprio voto.

Estadão - A reação das redes contra a sua posição da previdência mudou a sua atuação na Câmara?

Tábata - Não. A diferença da maneira com a qual eu lido com as redes é que, para mim, as redes não são um fórum democrático para ouvir as pessoas e tomar decisão. Para isso, eu tenho o gabinete itinerante. Não é fazer uma enquete com a quantidade de robô e a quantidade de dinheiro que tem nas redes sociais. Para mim, as redes servem mais para comunicar o seu mandato, ser transparente. Comparando a postura do (presidente Jair) Bolsonaro e a minha, em outras proporções, é que ele usa as redes para consultar e se posicionar. Eu uso as redes para me comunicar e explicar meus posicionamentos.

Estadão - Existe um reposicionamento estratégico da sua imagem?

Tábata - Eu tenho um time muito bom que me ajuda. A gente está sempre tentando se reinventar. E quando eu falo em me reinventar não é reposicionamento. É simplesmente tornar a comunicação mais simples. Minha eleição não foi de redes sociais. E eu já fui chamada de débil mental por falar que eu não acho que dá para ouvir a população ouvindo as redes. Não dá para fazer nada pensando em números de likes. Não é um reposicionamento. O que eu acredito, não mudou.

Estadão - Ao se aproximar do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a senhora está se reposicionando politicamente mais ao centro do espectro político?

Tábata - Eu tenho reuniões quase que semanais com o Rodrigo Maia desde que fiz uma provocação a ele: a Casa precisa se posicionar na pauta social. Aí tem um vácuo. Ele falou: 'se você conseguir levantar projetos, traz para mim'. Eu, quando cheguei aqui, olhei esse Parlamento conservador e a agenda do governo, e não achei que eu ia conseguir falar com o presidente da Câmara e ter espaço para falar de uma agenda social. Então, vou aproveitar.

Estadão - E qual é essa agenda?

Tábata - Sou de centro-esquerda. Eu escolhi o PDT porque eu acreditava naquele momento que era o lugar que eu teria mais espaço para defender a minha agenda de educação. Se o PDT me expulsar, e essa decisão é deles e não minha, porque eu não converso com o Conselho de Ética, vou para um partido que tenha essa pauta como prioritária. Agora, para qual partido que eu vou, não dá para eu conversar. Eu não fui expulsa.

Estadão- Você não está fazendo este movimento de buscar um partido?

Tábata - Não. Recebi convites informais de vários partidos. Formal, eu não recebi. Se eu for expulsa, eu converso com o maior prazer.

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