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A evolução da nossa identificação chegou até na foto


Por: REDAÇÃO Portal

Em abril passado, a AEPD – Autoridade Europeia para Proteção de Dados, demonstrou a intenção de proibir o reconhecimento facial por entender que é uma intrusão profunda e não democrática na vida das pessoas

Em abril passado, a AEPD – Autoridade Europeia para Proteção de Dados, demonstrou a intenção de proibir o reconhecimento facial por entender que é uma intrusão profunda e não democrática na vida das pessoas

Foto: Carmina Hissa é colunista do Movimento Econômico/Foto: divulgação

26/05/2021
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Por Carmina Hissa*

Definitivamente nada é tão simples como antigamente. Uma certidão de nascimento no papel nos identificava e isso era o máximo que tínhamos. Mas o tempo começou a acrescentar outras formas de identificação e a evolução tecnológica começou a nos mapear.  DNA, genética, biometria e assim de simples dados pessoais passamos a nos identificar através de dados sensíveis.

Mas a tendência de usar todos os recursos tecnológicos para nos identificar acendeu um alerta sobre todas as vulnerabilidades e riscos que isso pode gerar. E, para proteger nossa privacidade foi necessário impor regras e legislações mundiais.

Observamos um forte movimento em torno do uso do reconhecimento facial de todas as formas e maneiras, mas, como tudo tem seu preço e a história tem mostrado vários capítulos em que a humanidade foi impactada de forma brutal, o alerta começou a ser acionado contra a vigilância desenfreada, monitoramento sistemático e possíveis violações aos direitos humanos, discriminações e preconceitos.

Em abril passado, a AEPD – Autoridade Europeia para Proteção de Dados, demonstrou a intenção de proibir o reconhecimento facial por entender que é uma intrusão profunda e não democrática na vida das pessoas. A Comissão Europeia pretende limitar o reconhecimento facial, inclusive pela polícia, e proibir a chamada pontuação social. O uso desenfreado do reconhecimento facial sofreu um grande golpe.

E a tecnologia, que não para de surpreender, mostrou mais uma possível vulnerabilidade à nossa privacidade, dessa vez a captura da nossa biometria através de fotos.

Recentemente, a TV Record mostrou uma reportagem onde um pesquisador japonês, do Instituto Nacional do Japão, fez um alerta demonstrando que numa simples selfie que postamos nas redes sociais, onde aparece nossa digital pode ser capturada, copiada e usadas em golpes.

E agora até nosso famoso paz e amor se transformou em risco à nossa privacidade, já que usamos nossas digitais em diversas situações, como para liberar o acesso aos nossos celulares, notebooks, sacar nos caixas eletrônicos e até para registrar o ponto eletrônico dos funcionários.

Alguns especialistas em segurança cibernética preveem que a próxima cobiça e caça dos hackers, será invadir servidores para se apropriar da biometria e utilizá-la para fins ilícitos.

Diante de mais uma nova ameaça à nossa privacidade, e da ampliação de possibilidades de golpes e vazamentos de dados sensíveis, é importante ressaltar que o tratamento de dados sensíveis, como a biometria ou o reconhecimento facial deve ser precedido de todas as cautelas possíveis.

Nós, enquanto especialistas em privacidade e proteção de dados, devemos sempre analisar e criticar “quais dados precisamos coletar?”, “quais dados seriam de menor impacto e risco?”, “qual a menor vulnerabilidade?”.

Contratar uma consultoria para adequar uma empresa à LGPD é mais do que entender legislação ou segurança da informação, é ter foco no futuro, nos impactos, nos riscos da coleta de cada dado pessoal e sensível. É mudar, é inovar, é ter uma sociedade mais justa, inclusiva, plural.

Nossa identificação e uso dependem das nossas escolhas hoje e como vamos proteger dados sensíveis, preservando nosso futuro e a humanidade como um todo.

*Carmina Hissa. Sócia Fundadora de Hissa & Galamba Advogados. Professora de Direito Cibernético desde 1997. Especialista em Privacidade e Proteção de dados. Data Protection Officer-DPO. Presidente nacional da Comissão de Compliance e vice presidente da Comissão de Crimes Cibernéticos da ABCCRIM. Diretora Jurídica do IBDEE e da ISOC Capítulo Brasil. Member Cyber Master WOMCY, Latam Women in Cybersecurity. https://www.linkedin.com/in/carmina-hissa-17b52715/ @carminahissa

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