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Economia

Acordo Mercosul e UE anima cadeia do açúcar e do vinho em Pernambuco


Por: REDAÇÃO Portal

Tudo deverá ser ratificado em cada um dos respectivos parlamentos nos próximos dois anos. O aumento das exportações brasileiras é calculado na casa dos US$ 100 bilhões (podendo chegar a US$ 500 bilhões, em 15 anos, em previsões otimistas).

Tudo deverá ser ratificado em cada um dos respectivos parlamentos nos próximos dois anos. O aumento das exportações brasileiras é calculado na casa dos US$ 100 bilhões (podendo chegar a US$ 500 bilhões, em 15 anos, em previsões otimistas).
31/08/2019
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Eduardo Sol

Costurado ao longo dos últimos 20 anos, mas fechado só na última semana, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia é de uma dimensão tão impactante que a maior parte dos setores econômicos sequer conseguiu ainda imaginar esse futuro. Estão envolvidos 28 países europeus e quatro sul-americanos, formando a maior área de livre comércio do mundo. Mas, como isso rebate no cenário econômico de Pernambuco?

Especialistas e executivos entrevistados pelo Movimento Econômico (ME) foram unânimes: o acordo é ótimo para o País e para o Estado, embora alguns tenham certo receio pela estrutura brasileira. Estamos prontos para algo tão gigantesco?

Os vinicultores, por exemplo, temem a concorrência europeia, já enorme (estima-se que o preço do produto do Velho Mundo caia em até 30%), porém estão mais preocupados, no momento, em ter as mesmas oportunidades de negócios que os concorrentes mais famosos. Não foi por caso que o setor de vinhos foi um dos últimos a aceitar o acordo.

“De uma série de produtos, teremos aí um prazo de carência de até oito anos. Ainda assim, apesar de toda a pressão, o acordo valerá a pena. Agora todos os problemas que já tínhamos para exportar estarão às claras”, explicou o presidente da Associação dos Produtores e Exportadores de Hortifrutigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco (Valexport), José Gualberto. Para ele, o impacto ainda será calculado. “Praticamente não exportamos nada para a Europa, principalmente por falta de acesso ao mercado. Agora teremos isso. Então, obviamente que é positivo.”

Tudo deverá ser ratificado em cada um dos respectivos parlamentos nos próximos dois anos. O aumento das exportações brasileiras é calculado na casa dos US$ 100 bilhões (podendo chegar a US$ 500 bilhões, em 15 anos, em previsões otimistas). Supõe-se que o País tende a vender até o triplo do que exporta hoje. Cada setor envolvido foi um acordo à parte, mas são tantos os produtos, que dificilmente alguma cadeia produtiva ficará de fora.

Preocupações com a infraestrutura brasileira e as reformas no âmbito econômico (Previdência e Tributária) foram apontadas como essenciais nesse cenário por Antônio Sérgio Melo, diretor de relações institucionais para a América Latina da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), dona da planta da Jeep, em Goiana. “Sabíamos que o acordo estava perto de ser fechado. Então, estamos adiantados. Nossa intenção é transformar a Jeep em Pernambuco numa planta exportadora”, disse. Para ele, no entanto, é preciso que o Brasil faça sua parte. “O setor logístico é o mais importante. Pernambuco precisará investir para a aproveitar essas oportunidades”, afirmou.

Um outro setor ouvido pelo ME que não esconde a ansiedade: o sucroalcooleiro. “Tínhamos tantas barreiras para exportarmos para a Europa que a possibilidade de elas diminuírem praticamente abre um mercado novo”, disse o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha.

O açúcar brasileiro tem uma cota para a Europa, que foi mantida: 334 mil toneladas. O que muda é que, desse montante, cerca de 180 mil toneladas terão tarifa zero para a União Europeia. De acordo com Cunha, o setor está tão pronto que já poderia negociar a safra 2019/2020, que chegará em setembro. “O prazo é dois anos, então só em 2021 poderemos começar a entrar naquele mercado. Temos pressa e produção para isso”, ressaltou.

Nem todos estão prontos

“No máximo entre 20% e 30% de nossa indústria está pronta para a competição a ser exigida pelo acordo entre Mercosul e União Europeia”. Esse diagnóstico, que serve também de alerta, é do assessor da presidência da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), Maurício Laranjeira. “Ainda haverá as ratificações e muito debate em torno desse assunto. Mas nosso papel agora, com apoio da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), é o de pressionar e orientar nossa base parlamentar para aprovar o acordo o mais rápido possível. Ele é muito importante para o futuro do País”, disse Laranjeira, que só vê isso começar a andar quando o Brasil finalmente conseguir aprovar a reforma da Previdência. “O Brasil e Pernambuco terão de se ajustar a um padrão alto, e isso é bom, pois pressiona nossos gestores”, comentou.

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