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Análise: O megaleilão sobrou para a Petrobras


Por: PATRÍCIA RAPOSO

Sem concorrência, sem ágil e sem atingir preço mínimo, coube à estatal brasileira pagar a conta.

Sem concorrência, sem ágil e sem atingir preço mínimo, coube à estatal brasileira pagar a conta.
06/11/2019
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O governo federal comemorou, mas, na verdade, o megaleilão do pré-sal da Petrobras desapontou. Realizado hoje (04), no Rio de Janeiro, ele teve o maior bloco, o de Búzio, arrematado com o lance mínimo, já que não houve concorrência.

Quem levou a área foi um consórcio liderado em 90% pela própria Petrobras, junto com duas estatais chinesas, Cnodc e Cnooc - cada uma com 5% de participação. O consórcio pagará R$ 68,2 bilhões pelo direito de explorar a área da maior descoberta de petróleo do país.

A Petrobras também foi a única a fazer ofertar para a segunda área, Itapu (com percentual mínimo de petróleo estabelecido no edital 18,15%). Os campos de Sépia e Atapu ficaram sem interessados.

Resumo da ópera: a Petrobras continua no controle, tendo que assumir majoritariamente o desembolso.

O governo esperava arrecadar R$ 106 bilhões e conseguiu apenas R$ 69,9 bilhões. O maior leilão de petróleo do mundo, como era anunciado pelo Ministério das Minas e Energia, portanto, teve apenas dois dos quatro campos vendidos e a arrecadação ficou aquém do esperado, em 66% do previsto. Sem falar que o dinheiro, em sua maioria, não veio players externos.

A ausência de investidores internacionais fez as ações da Petrobras despencarem. Havia expectativa positiva sobre a valorização das ações da companhia. Na última segunda-feira, o coordenador do MBA em Gestão Financeira da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ricardo Teixeira alertava que, desde 2010, o preço das ações preferenciais da Petrobras (PETR4) não ultrapassava a marca dos R$ 30,00. “Nesta segunda-feira, dia 4, estão sendo negociadas um pouco acima desse patamar. Fica a pregunta: estaremos perto do teto ou ainda haverá espaço para valorização?”, questionava.

Durante o leilão, as ações ordinárias da Petrobras tiveram grande oscilação, despencando de uma alta de 3%, no início, para uma queda de mais de 3% logo após a divulgação do resultado da primeira área (Búzios). As preferenciais também avançavam mais 3% e recuaram a mais de 1% com a divulgação.

Antes das 13h, elas se recuperaram e estavam no topo das mais negociadas. Os papéis ordinários (PETR3) subiam 0,34% e os preferenciais (PETR4) avançavam 0,4% por volta das 13h, mas às 13h10 já havia caído novamente (-0,37% e -0,34% respectivamente). Às 14h, estavam em -0,28% e +01%.

“O leilão não atingiu a meta do governo, não teve ágil, não teve disputa para aumentar o preço mínimo. Este foi um fator negativo. Isso levou a volatilidade das ações e do dólar, que chegou a subir 2,2%, porque havia uma expectativa de maior concorrência, principalmente internacional. O saldo foi negativo.”, analisa o economista Thobias Silva.

“Sem entrar nos aspectos propriamente do negócio do ponto de vista da Petrobras, podemos dizer que o leilão da cessão onerosa deixou muito a desejar por falta de demanda de estrangeiros pelos campos em disputa. Não por acaso o dólar hoje sobe fortemente, 1,86% às 11:47 à R$ 4,07, uma vez que foi frustrada a perspectiva de entrada de divisas por conta deste evento em particular”, analisava o economista André Prefeito da Necton Investimentos., ao fim do certame.

Ele reforça que o fato de duas áreas não terem tido nenhuma proposta deixou um gosto amargo entre os investidores. “Sem contar que não houve ágio algum sobre as propostas mínimas obrigatórias”.

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