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Artigo III - Como mensurar a sua vida? (3/3)


Por: REDAÇÃO Portal

“Como posso ter certeza de que ficarei fora da cadeia?” - Pode parecer um tanto quanto ridículo, mas vai por mim, não é. Ao contrário, quase que eu fui parar lá…

“Como posso ter certeza de que ficarei fora da cadeia?” - Pode parecer um tanto quanto ridículo, mas vai por mim, não é. Ao contrário, quase que eu fui parar lá…

Foto: Alfredo Júnior/Foto Thaís Lima

05/03/2020
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Alfredo Júnior*

Durante o Carnaval, aproveitei para descansar, curtir a família (ver parte 2/3) e refletir sobre como finalizaria esta sequência de 3 artigos sobre o desafio que dei a mim mesmo para responder se estou conseguindo ser “bem sucedido” em viver a vida, minha vida, como um todo. Para refrescar a memória, nos dois primeiros artigos eu abordei os seguintes tópicos:

1. Como posso ter certeza de que serei feliz em minha carreira?

2. Como posso ter certeza de que meu relacionamento com minha esposa (cônjuge) e minha família se tornará uma fonte duradoura de felicidade?

Para finalizar esta “trilogia”, me debruçarei hoje sobre a última questão: “Como posso ter certeza de que ficarei fora da cadeia?” - Pode parecer um tanto quanto ridículo, mas vai por mim, não é. Ao contrário, quase que eu fui parar lá…

Fui buscar uma resposta convincente para esta pergunta no que aprendi ao estudar finanças, economia e contabilidade, apesar de não ser nem financista, nem economista e nem contador... O comum é sermos ensinados que ao avaliar investimentos alternativos ao modelo de negócios principal, devemos ignorar os custos “irrecuperáveis” e fixos e, em vez disso, basear as decisões a serem tomadas apenas nos custos e receitas marginais que cada alternativa implica.

Porém, o que eu percebi na prática é que este raciocínio faz com que os gestores se baseiem no que deu certo no passado, em vez de pensar sobre o que provavelmente criará os recursos necessários no futuro. Esta abordagem pra mim só faria sentido se soubéssemos que o que vai dar certo no futuro seria igual ao que já deu no passado. Como eu não acredito nisso, optei por adotar uma prática diferente, o que me leva ao cerne da questão: Como viver uma vida íntegra e não ir para a cadeia?

Inconscientemente, nós tendemos a aplicar em nossas vidas a teoria dos custos marginais que descrevi brevemente acima, quando temos que tomar uma decisão entre o “certo e o errado”. Vê só se não é assim que acontece: Uma voz em nossa mente fica sussurrando “Tudo bem, eu sei que é errado e as pessoas não deveriam fazer isso, mas diante desta circunstância extraordinária, só desta vez não vai fazer mal!”

Cá pra nós, quantas vezes tu não já pensaste em pegar o carro mesmo depois de tomar “só uma cervejinha” que não faz mal a ninguém? Pois é, eu me incluo neste discurso, tá? Já fiz, confesso! E, foi exatamente por isso, que me peguei refletindo sobre esse tipo de atitude. O custo marginal de fazer algo errado “só dessa vez” sempre parece sedutoramente baixo. Traz a sensação de que o risco compensa. Porém, nos priva de olhar para os custos totais que tal decisão implica.

Cheguei à conclusão que a justificativa para a infidelidade, corrupção, desonestidade etc., tudo isso que a gente adora reclamar, reprimir e condenar, mesmo que em alguns casos sejamos cúmplices, reside na economia de custos marginais causados pelo fenômeno do “só desta vez”.

Parafraseando o lendário professor da Harvard Business School, Clayton Christensen: “É mais fácil se manter fiel aos seus princípios e valores 100% das vezes, do que 98% das vezes”.

Se cedermos ao fenômeno do “apenas esta vez”, com base numa análise de custo marginal, como vários de nós já fizemos, podemos nos arrepender de onde vamos parar, pois pode ser na cadeia.

*Alfredo Júnior é diretor de Qualquer Coisa do Hub Plural

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