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Economia

Brasil avança para fomentar a Internet das Coisas


Por: REDAÇÃO Portal

A IoT vai proporcionar ganhos na produtividade da indústria, reduzindo ainda o risco cibernético

A IoT vai proporcionar ganhos na produtividade da indústria, reduzindo ainda o risco cibernético
16/07/2019
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Luciana Carneiro Leão

Mais do que a robótica, tecnologias cloud ou mesmo a internet móvel, a Internet das Coisas (ou Internet of Things – IoT, em inglês), veio para ficar e no futuro próximo tornar possível a interconexão de um conjunto de várias tecnologias às áreas prioritárias no desenvolvimento do País. E para dar celeridade à implantação da IoT e conceder um ambiente produtivo ao Brasil, com base na livre concorrência e na livre circulação de dados, o Governo Federal deu o primeiro passo ao instituir, por decreto, o Plano Nacional de Internet das Coisas.

O Plano funcionará como uma diretriz a ser seguida pelos vários atores envolvidos nos setores produtivos. Tais sinalizações tiveram como base o relatório de estudos liderado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), onde foram listados quais áreas seriam prioritárias, assim como os caminhos para enfrentar os desafios e as soluções para que o mercado interno possa enfrentar de forma produtiva  a nova revolução da Internet, a IoT.

Entre alguns dos principais objetivos do Plano estão os de melhorar a qualidade de vida das pessoas e promover ganhos de eficiência nos serviços, por meio da implementação de soluções de IoT; promover a capacitação profissional relacionada ao desenvolvimento de aplicações de IoT e a geração de empregos na economia digital; incrementar a produtividade e fomentar a competitividade das empresas brasileiras desenvolvedoras de IoT, por meio da promoção de um ecossistema de inovação neste setor; buscar parcerias com os setores público e privado para a implementação da IoT e aumentar a integração do País no cenário internacional, por meio da participação em fóruns de padronização, da cooperação em pesquisa, desenvolvimento e inovação e da internacionalização de soluções de IoT desenvolvidas no Brasil. 

Em um mercado promissor e tido como a bola da vez da era digital, um estudo do McKinsey Global Institute estima que o impacto de IoT na economia global será de 4% a 11% do produto interno bruto do planeta em 2025 (portanto, entre 3,9 e 11,1 trilhões de dólares). Até 40% desse potencial deve ser capturado por economias emergentes. No caso específico do Brasil, a estimativa é de 50 a 200 bilhões de dólares, de impacto econômico anual em 2025.

O presidente da Associação Brasileira da Internet das Coisas (Abinc), Flávio Maeda, em entrevista ao Movimento Econômico aposta nesta mudança como um propulsor para a economia, para geração de empregos, e para o aumento da produtividade em vários setores tais como cidades, saúde, agronegócio e indústria. “Os investimentos, no entanto, ainda são precoces. No que diz respeito ao desenvolvimento de infraestrutura e aplicações para Internet das Coisas, o Brasil ainda engatinha. O País ainda tem pouca coisa efetiva, mas mostra um início de amadurecimento rápido. A questão dos altos impostos de equipamentos, por exemplo, ainda é uma grande barreira para a massificação do uso da IoT”, disse Maeda.

Flavio Maeda é presidente da Abinc
Flávio Maeda é presidente da Abinc

“Mas, quando isso acontecer será impactante”, diz o presidente da Abinc. Segundo ele, muitas empresas que ainda não começaram a investir em processos de inovação terão que se adequar, ou podem correr o risco de desaparecerem. Para Flávio Maeda, é neste cenário que entram as ações e diretrizes traçadas pelo Plano Nacional da Internet das Coisas, que podem alavancar as soluções para os diversos segmentos do País. Dados de 2018 da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) apontam que menos de 2% das organizações do País estão inseridas de fato nesta tendência.

Prioridades e desafios

Em 2017, a União Internacional de Telecomunicações (UIT), braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para o setor de telecomunicações, relacionou que 85% das soluções da IoT podem auxiliar o mundo a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).  No Brasil, 43% dos ODS são contemplados pelo Plano de ação para IoT no Brasil. “Estamos alinhados com as prioridades listadas nos ODS. E as iniciativas existentes no País estão em fase de protótipos, ainda em pequena escala”, revelou Maeda.

Para a criação de um ambiente de negócios favorável à IoT, o presidente da Abinc avalia que ainda sob o comando do Governo Federal há grande geração de demandas para incrementar a “nova onda”, tal qual já fizeram outros países como Alemanha, China, Coreia do Norte e Estados Unidos. Maeda sugere, por exemplo, a interconexão das coisas na área de Saúde, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Ao conectar as várias tecnologias podemos ter soluções que possam diminuir os custos para o Governo e, dessa maneira, melhorar o atendimento às pessoas. Na área de Meio Ambiente e Saneamento, já temos protótipos em curso no País como a desenvolvida e já implantada pela Companhia de Abastecimento de Água de São Paulo (Sabesp) que pode detectar por meio de hidrômetros conectados a um app, possíveis vazamentos do sistema, ou mesmo eventuais fraudes”, citou Flávio Maeda.

Outro case de sucesso no País foi desenvolvido pela mineira Maxtrack, maior fabricante de rastreadores da América Latina. A empresa desenvolveu um dispositivo que não faz apenas o acompanhamento do veículo. A solução permite ao mesmo tempo detectar várias informações sobre o veículo rastreado, ao fazer a interconexão de tecnologias como a análises de big data e inteligência artificial, e detectar furtos, roubos, colisões e falhas mecânicas, assim como identificar alguma anomalia de comportamento de um carro ou usuário. A solução já é usada pelas maiores seguradoras do País e empresas de proteção veicular brasileira.

Alertas

Se por um lado a IoT vai proporcionar ganhos na produtividade da indústria ou em outros setores da economia, sua ascendência também deixa um sinal de alerta para um outro campo tão importante quanto: o risco cibernético.

Para o presidente da Abinc, seria o risco cibernético um dos pontos mais críticos da Internet das Coisas. Tanto que com a criação recente da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), o tema ainda é tratado com certo temor. “Por ser muito recente, todos os setores de nossa economia devem procurar mecanismos para se adequarem à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais relacionado à privacidade e proteção de dados e de segurança da informação, principalmente em ambientes como o de cidades e de saúde”, alertou Maeda.

Estima-se que até 2020 cerca de 25 bilhões de equipamentos estejam integrados a sistemas inteligentes em todo o mundo, atendendo 4 bilhões de pessoas conectadas em cerca de 25 milhões de aplicativos, isso tudo disponibilizando cerca de 50 trilhões GBs de dados.

Foto do alto: Cortesia Pixabay

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