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Economia

Como a pandemia afeta o mercado de Fusões e Aquisições


Por: PATRÍCIA RAPOSO

O segmento de M&A iniciou 2020 animado. Depois de registrar aumento de 58,6% em 2019, foi surpreendido pela crise de liquidez trazida pelo coronavírus

O segmento de M&A iniciou 2020 animado. Depois de registrar aumento de  58,6% em 2019,  foi surpreendido pela crise de liquidez trazida pelo coronavírus

Foto: Setor de M&A pode ter janela de oportunidade após pandemia/Foto: Pixabay

20/04/2020
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O mercado de fusões e aquisições - ou de M&A, do inglês Mergers and Acquisitions-, prometia entrar num bom momento em 2020. Com a Selic no patamar mais baixos da série histórica e grande liquidez no mercado, os investidores começaram a buscar outras oportunidades e os investimentos na chamada economia real pareciam promissores.

De acordo com levantamento da Transactional Track Record – TTR, no Brasil, o segmento movimentou R$ 307 bilhões no Brasil em 2019, num aumento de 58,6% em relação ao ano anterior. E no primeiro trimestre deste ano, só no Nordeste, foram 24 transações. Mas a crise da pandemia do novo coronavírus mudou as expectativas.

Fonte: Transactional Track Record – TTR (para gráficos e tabela) e análise Deloitte (para termômetro de atividade)

Alguns profissionais que atuam neste segmento olham com cautela o cenário, embora prevaleça o otimismo. Há quem acredite que, ao fim da pandemia, vai se abrir uma janela de oportunidade. Isso porque a crise vai deixar muitas empresas em dificuldades.

“Eu estava com três processos de M&A em curso. Um foi fechado no começo da pandemia, o outro recuou para rever o valor da oferta e o terceiro foi suspenso”, diz Fabiana Nunes, sócia e advogada empresarial de Martorelli Advogados, especialista em M&A. “Ou seja, o cenário não está tão negativo”.

Fabiana Nunes

Na opinião de Fabiana, muitos vão quebrar, mas quem passar pela crise, vai ter chance de ser adquirido. Ela entende que o Covid-19 está mais para a crise do 11 de setembro - uma crise aguda, de curva em “V” - do que para a crise do subprime ­(motivada pela concessão de empréstimos hipotecários de alto risco, em 2007), que teve curva de crescimento lenta, em “U”.

“Teremos de um lado empresários com obrigações trabalhistas, devendo tributos, tendo que renegociar dívidas com bancos e, de outro, o investidor com liquidez e oportunidade diante de um câmbio favorável”, reflete, acrescentando que esse investidor não é só o externo, mas também o interno, que tem poupança no exterior.

Para a advogada, as empresas devem se preparar para o momento da retomada. “Fazendo todos os ajustes necessários, as empresas estarão prontas para a curva de ascensão rápida que esse setor de M&A terá após os efeitos da pandemia”, afirma otimista. Fabiana acredita que, no Brasil, as empresas ficarão baratas e o investidor ainda ganhará no câmbio.

Governança

Mais cauteloso, Arthur Machado, da Ondina Investimentos diz que as motivações para o M&A após a crise passam não só pela necessidade de capital, mas pelo potencial que um investidor profissional traz em gestão e governança. Para ele, muitos acionistas podem aproveitar o momento para se reorganizar, e isso pode tornar o M&A atrativo até para os mais avessos.

Arthur Machado

No entanto,  Arthur acredita na tendência de redução significativa de transações em 2020, com investidores mais cautelosos. “Os fundos de Private Equity não investirão a qualquer custo. Eles podem esperar”, analisa Arthur. “Do lado do empresário, os que buscam capital para o negócio terão um grande desafio para demonstrar potencial de crescimento no curto/médio prazo”. 

Mas isso não quer dizer que não haverá transações. Ele acha que boas empresas em segmentos com menor exposição à crise, como Telecom e Agro, ou que até se beneficiem dela, como alguns segmentos de tecnologia, são transações em potencial. “A crise também dá espaço para aquisições de oportunidade, mas nestes casos os empresários precisarão ter expectativa de valor realista. Sem falar nos empresários que irão avaliar o momento como oportuno para atrair um sócio que apoie ativamente com gestão e governança, papel muito comum entre os fundos de Private Equity e investidores institucionais”.

Com relação a velocidade das transações, a tendência é que tome um pouco mais de tempo que o normal. “Não acredito que a curva desta crise seja em V”. Por isso, Arthur só vê a retomada total do mercado só em 2021. “O lado bom é que são processos que tomam tempo, e isso dá chance de se fazer um bom planejamento”.

Deloitte

A Deloitte, que tem operações em curso de M&A no Norte e Nordeste, nas áreas de saúde, educação e tecnologia, não recebeu pedidos dos clientes para interromper os processos. “São setores mais resilientes a crises e o apetite continua”, diz Davi Holanda, diretor de área de Corporate Finance Advisory na região N/NE.

“Enxergo oportunidades, porque há grandes grupos na região que diversificam sua atuação e nesse momento devem fazer desinvestimentos para  gerar caixa e focar core business do negócio”, analisa.

Davi Holanda

Para Holanda, há muitas empresas interessadas em aporte de capital visando melhorar a competitividade e fazer crescer a operação. “E estão se preparando para este momento”, ressalta.

 

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