Carregando
Recife Ao Vivo

CBN Recife

00:00
00:00
Artigos

Coronavírus e o futuro do trabalho


Por: REDAÇÃO Portal

Em tempos turbulentos como o que estamos vivendo, um paradoxo interessantíssimo vem à tona: a nossa fé em Deus e na Ciência.

Em tempos turbulentos como o que estamos vivendo, um paradoxo interessantíssimo vem à tona: a nossa fé em Deus e na Ciência.
13/03/2020
    Compartilhe:

*Alfredo Júnior & Guilherme Cavalcanti 

Em tempos turbulentos como o que estamos vivendo, um paradoxo interessantíssimo vem à tona: a nossa fé em Deus e na Ciência.

Neil deGrasse Tyson, astrofísico e “militante” em prol do pensamento científico, recentemente foi interpelado sobre o Coronavirus e deu uma resposta que achei, no mínimo, curiosa e resolvi desenvolver a ideia para compartilhar com vocês.

Dado que ele não é epidemiologista, infectologista ou médico especialista em qualquer tema, antes de responder, fez uma ressalva dizendo que responderia não como especialista e sim como uma pessoa educada de forma geral em temas ligados à ciência.

Segundo ele: ”estamos diante de um grande experimento global onde nós, seres humanos, somos as cobaias. Neste experimento o objetivo é determinar se as pessoas vão ou não ouvir e adotar as recomendações e previsões de cientistas”!

Achei um bom ponto, principalmente porque nunca pensaria por essa perspectiva. Ele concluiu adicionando que se a resposta for sim, o vírus, assim como o pânico associado a ele, será dissipado e controlado dentro dos tempos normais de qualquer outra epidemia com novas cepas de vírus (H1N1, SARS, MERS, etc.), mas não será por mágica, mas sim pela ciência.

Aqui no Brasil, o Ministro da Saúde, em sua primeira entrevista coletiva sobre o tema, fez um apelo para que todos tentem se ater ao que a ciência diz sobre o assunto, buscando apenas fontes oficiais e confiáveis e, principalmente, evitando o pânico. Quando perguntado pela imprensa sobre a possibilidade de uma vacina, respondeu que uma vacina viável para aplicação em larga escala deve levar de 12 a 18 meses para estar disponível, mas que certamente estará disponível. A melhor parte veio no complemento, quando o Ministro aproveitou a oportunidade e fez uma provocação: ”quando tivermos a vacina, se ainda houver uma epidemia, quero ver se os militantes contra vacinação vão tomar ou não a vacina!” Touchè

Por outro lado, o pesquisador e urbanista Richard Florida reagiu publicamente à iniciativa da Universidade de Washington de fechar salas de aula e forçar seus mais de 50.000 alunos a aderirem ao sistema de ensino à distância. Dentre outros pontos, ele fez uma provocação sobre o papel do pânico e do instinto de sobrevivência em acelerar inovações e transformações que estão aprisionadas pela rotina. E fechou sua provocação afirmando que a Universidade deveria pesquisar com metodologia científica o impacto desta medida.

Recentemente, me deparei com uma citação de Bertrand Russel, extraída do artigo The Politics of Logic publicada no site AEON. Na tradução livre: ”para a vida humana voltar a ser tolerável a humanidade deve adquirir duas coisas que atualmente desaparecem a passos largos: bondade amorosa e imparcialidade científica.”

Por fim, o que é que isso tudo tem a ver com o tema da nossa coluna? TUDO!

O futuro do trabalho e as transformações na vida das pessoas advindas das mudanças sobre como, onde e com quem trabalhamos estão diretamente ligados ao tipo de comunidade a que pretendemos pertencer. Em um ecossistema onde a imparcialidade e a curiosidade científica somadas à bondade amorosa são a regra, é provável que toda a comunidade tenha uma maior capacidade de coletivamente melhor se informar, melhor se entender e melhor reagir a grandes crises.

Perceber o impacto que emergências geram sobre a relação entre a sua vida e o seu local de produzir e viver é sempre uma oportunidade de refletir sobre sua rotina e o quanto talvez ela precise mudar, evoluir. Buscar entender a forma como você se relaciona com o território e como isso impacta sua produtividade pode ser um bom começo para essa reflexão.

Ter coragem de entrar em debates necessários, como o exemplo do Ministro, que provocou os detratores do já cientificamente provado fato de que a vacinação de crianças e adultos é uma medida de saúde pública eficaz e desprovida de riscos relevantes, e defender fatos e evidências cientificamente embasadas é também uma forma de se proteger contra boatos, fake news e manipulação. E isso impacta sim a forma como você vive e trabalha. A verdade baseada em evidências é sempre o melhor conselheiro nas tomadas de decisões profissionais (e pessoais também)!

Por fim, entender que estamos todos interligados de forma interdependente dentro do mesmo barco chamado Planeta Terra e que uma epidemia iniciada na China pode nos tornar, todos sem distinção, cobaias de um grande experimento, nos oferece uma perspectiva instigante para construirmos um futuro de bem estar para todos e consciência global sobre medidas urgentes para melhorarmos o mundo começando por nós mesmos.

Se em tempos de pandemia até ateu clama pela misericórdia de Deus, podíamos todos nós renovar também nossa confiança na ciência e nosso senso de comunidade. Precisou um vírus com nome de cerveja para dar um freio de arrumação na bagunça caótica que nós mesmos nos inserimos e para darmos uma parada e refletirmos sobre o coletivo.

*Alfredo Júnior & Guilherme Cavalcanti são sócios no Hub Plural

Notícias Relacionadas

Comente com o Facebook