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Economia

Covid-19 impacta setor químico pernambucano de formas diferentes


Por: PATRÍCIA RAPOSO

Queda nas vendas no ramo de tintas e vernizes se contrapõe ao crescimento no de saneantes

Queda nas vendas no ramo de tintas e vernizes se contrapõe ao crescimento no de saneantes

Foto: Indústrias atentas a oportunidade de se reinventar/Foto: Banco de imagem Istokphotos

28/05/2020
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O setor químico é um dos poucos que vem sendo impactado de forma duplamente diferente nesta pandemia. Se por um lado algumas empresas amargam dificuldades, por outro há aquelas que experimentam crescimento nas vendas. As indústrias que produzem saneantes são as mais beneficiadas, uma vez que os produtos de limpeza e higiene são um dos mais vendidos nesta atual quarentena.

Pesquisa da Änimä, empresa de gestão de marcas com sede em Recife, feita junto a 300 moradores do estado de todas as classes sociais para saber como evolui os hábitos de consumo, revela que 80% dos entrevistados passaram a dar mais valor a produtos de limpeza básicos, como água sanitária e sabão em barra.  “Ao mesmo tempo, há um anseio de 20,6% de que surjam novos produtos eficientes e 10,3% estão dispostos a pagar um pouco mais por esses produtos”, diz Fernando Lima, diretor da Änimä.

Já as empresas químicas que dependem de outros setores econômicos para alavancar as suas vendas, como de tintas e vernizes, por exemplo, estão com dificuldades porque a paralisação do comércio e de grande parte da construção civil fez o consumo declinar. É para esse nicho que a presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos (Siquimpe), Caroline souto Maior, chama atenção.

Caroline Souto Maior, presidente do Siquimpe

Segundo ela, as indústrias começaram a sentir o impacto ainda em março, quando o comércio fechou as suas portas. “Isso levou ao aumento da inadimplência e gerando grande dificuldade para as indústrias quitarem as suas dívidas com seus fornecedores”, disse, destacando que, outro ponto importante e problemático para o mercado, se deve às fortes oscilações cambiais, que têm impactado diretamente na compra dos insumos importados.

A presidente do sindicato acrescenta que as empresas precisaram antecipar as férias dos seus colaboradores, usar o seu banco de horas e, principalmente, se reinventar. “A crise pode ser um momento importante para repensar tudo, desde o modelo de negócios até a relação com a tecnologia. Exemplo disso, algumas indústrias químicas fabricantes de tintas e assemelhados, através da portaria SES/SDEC Nº 2, começaram a fabricar álcool 70% como forma de criar oportunidades de crescimento”, disse.

Mas, num contexto geral, Caroline entende que a crise de proporção global surpreendeu radicalmente a dinâmica das empresas, desde as de menor porte até as mais robustas, pedindo a realização de mudanças. Neste novo cenário, algumas soluções estão sendo adotadas, como uma nova abordagem no relacionamento com cliente. “Esta tem sido a ferramenta mais utilizada, tanto na flexibilização de negociações, como na tentativa de obter a preferência”, ressalta.

A redução de custo operacional e de investimentos também mereceu mais atenção. “Quando se conhece o que precisa gastar, fica mais fácil renegociar pagamentos de aluguéis e fornecedores, por exemplo”. Além disso, as vendas online e as vendas expressas (entrega em carro pequeno para vendas menores) foram a saída para várias empresas, muito embora seja uma ferramenta para alcançar o consumidor final, o que não é o caso de algumas indústrias do setor.

“Sabemos que todos precisam fazer a sua parte, mas, para sobrevivermos, é fundamental que tenhamos mais facilidade e flexibilidade no acesso ao crédito, na postergação do prazo de pagamento de encargos e impostos e na injeção de recursos via bancos públicos”.

Empresas afetadas

A gerente administrativa da Óxidos do Nordeste, Rosiane Oliveira, diz sentir na pele o cenário que Caroline descreve. Na empresa em que trabalha, o volume de vendas baixou 75%, os clientes prorrogaram os débitos e houve queda na produção. “Está sendo bem difícil este momento. Tivemos que repensar muitas coisas, como parar os investimentos, manter apenas as compras necessárias para a produção e manter o caixa da empresa com uma reserva dos valores pagos pelos fornecedores”, adiantou. 

A proprietária da Spectracolor, Grace Klein, também fala numa queda de 70% no volume de vendas e conta que a grande dificuldade do seu mercado tem a ver com a instabilidade do dólar, já que o segmento depende de matéria-prima importada. “Seria fundamental a união de todos os poderes públicos diante de uma situação de guerra que estamos enfrentando. Isto daria uma calma no mercado, tão fundamental neste momento”, afirmou.

A produção de Pernambuco cresceu 6,1% em 2019, enquanto o Brasil viu sua produção decrescer 0,9%.  No primeiro trimestre deste ano, o setor de produtos químicos pernambucano também cresceu (4,2%) , só que na comparação com 2019, sofreu queda de 3,8%. Quando se compara março de 2020 e com o mesmo mês de 2019, a queda foi de 0,2%.

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