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Covid-19 impõe altos custos para a reabertura dos shoppings e ameaça negócios


Por: PATRÍCIA RAPOSO

Lojista querem negociar aluguel com gestores dos centros de compras porque operação limitada e redução do público impactam fluxo de caixa

Lojista querem negociar aluguel com gestores dos centros de compras porque operação limitada e redução do público impactam fluxo de caixa

Foto: Shopping Costa Dourada: R$ 4 milhões de perdas/Foto: divulgação

29/05/2020
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A retomada das atividades econômicas está na pauta do dia e é o maior desejo dos empresários que estão com seus negócios parados, mas não será fácil. Principalmente para os que têm lojas em shoppings. Os custos com o cumprimento de protocolos são altos e as limitações de horários nas operações podem comprometer o fluxo de caixa, afetando mortalmente os negócios.

Em carta endereçada à Apesce, no último dia 21 de maio, entidades representativas desses lojistas pedem a suspensão do aluguel mínimo e a cobrança apenas do aluguel percentual fixado nos contratos individuais (que varia conforme as vendas), isenção do aluguel em dobro no mês de dezembro deste ano, redução da cobrança do Fundo de Promoção para 50% dos valores atuais após a retomada das atividades, entre outros pleitos.

“Nossos contratos são com base em 12 horas de operação e vamos reiniciar com redução de quatro horas,  o que impacta o fluxo de caixa. Sem falar que os shoppings que já abriram noutros estados estão com uma movimentação de 20% do que tinham antes. Isso nos motiva a pedir uma adequação nos custos”, justifica Ricardo Galdino, diretor executivo da Associação de Lojistas de Shopping de Pernambuco.

Custo dos shoppings

O problema é que os custos dos shoppings para a retomada estão nas alturas e esse embate terá que ser travado com muita cautela. Eduardo Cardoso, CEO do Shopping Costa Dourada, situado no Cabo de Santo Agostinho, vai reabrir seu centro de compras dia 4 de junho, conforme plano de retomada anunciado pela prefeitura local nesta sexta-feira (29). 

Eduardo Cardoso/Foto: divulgação

“Não é um processo simples. E custará caro para todos. Do lojista ao dono do shopping”, diz Cardoso. O investimento que ele fez para atender aos protocolos já supera R$ 200 mil, a começar pela modernização das cancelas do estacionamento, que agora não necessitam de toque para emissão do ticket, já que passam a funcionar com raios infravermelhos. Além disso, ele sinalizou todo o mall internamente, criando dois sentidos para trânsito dos pedestres, de modo que não se cruzem nos corredores.

Haverá fiscais por toda parte. O espaço de tempo entre uma limpeza e outra, tanto das mesas da praça de alimentação quanto dos banheiros, foi reduzido e haverá aferição de temperatura nas três entradas para o público, assim como na da área de serviço, para funcionários. “Qualquer pessoa que entrar aqui terá sua temperatura medida e deverá estar usando máscaras. Além disso, estamos negociando com a prefeitura para que pessoas com temperaturas acima da média possam ser direcionados para a Secretaria de Saúde”, explica Cardoso.

Tanto as vagas no estacionamento como nas mesas da praça de alimentação serão reduzidas em 50%. Somando despesas, renúncias de aluguéis e taxas, os custos do Costa Dourada com a pandemia já batem os R$ 4 milhões.

Cardoso sabe, porém, que está muito difícil para os lojistas. “Alguns já anunciaram que não vão retornar com seu negócio. É muito doloroso, porque sabemos que a feira de várias famílias dependem de lojas que operam aqui. Mas nossos custos são muito altos. Continuamos pagando, luz, segurança, limpeza”, revela.

Lojista

“O contrato com um shopping não é um contrato de locação simples, é um contrato comercial cheio de regras”, lembra Mário Jorge Carvalheira, franqueado da McDonald´s com lojas em vários centros de compras. “Os lojistas querem discutir em bloco, o que não tem sentido para o lado do empreendedor. Isso porque há várias realidades, como lojista inadimplente, em litígio, com contratos diferenciados e tem lojista que até está ganhando dinheiro, como farmácias e supermercados. Entendo que seja preciso analisar caso a caso”, admite

Carvalheira revela que vai reabrir suas lojas, mas sabe que terá prejuízo. “Vamos ter mais custos com a operação. Temos que comprar máscaras, placas de acrílico para proteger vendedores, álcool gel, mesmo assim, prefiro abrir”, revela.

O plano de retomada do governo do estado deve ser anunciado nesta segunda 1 de junho. Ontem, encerrou o prazo de isolamento social mais rigoroso imposto para conter o avanço da covid-19 em Pernambuco. Os municípios do Cabo de Santo Agostinho, no Litoral Sul do estado, e de Petrolina, no Sertão, anunciaram nesta sexta-feira (29) seus planos de retomada. Petroliana retoma atividades gradualmente hoje e o Cabo, no próximo dia 03.

Conforme antecipado na quinta-feira (28) pelos secretários de Desenvolvimento Econômico, Bruno Schwambach, e da Fazenda, Décio Padilha, esse plano deve durar 11 semanas, se tudo der certo. Mas se os índices da doença voltarem a subir, pode se estender por mais tempo. A prioridade passa pelas atividades que têm menos peso na curva de contaminação e relevância econômica, considerando a quantidade de trabalhadores por setor e seu peso em atividades complementares, como transporte público.

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