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Cresce o apetite do food service em Pernambuco, estimulado pela febre dos delivery apps

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Por: REDAÇÃO Portal

Tradição do Recife como polo gastronômico e consumidor conectado contribuem para a expansão do negócio

Tradição do Recife como polo gastronômico e consumidor conectado contribuem para a expansão do negócio

Foto: Rappi/Divulgação

05/08/2019
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Fernando Ítalo 

O mercado de food service – que abrange todo alimento consumido fora de casa e a entrega de comida - movimentou R$ 205 bilhões no país, em 2018, de acordo com levantamento do Instituto Foodservice Brasil. A expectativa da entidade é que o negócio engorde de forma sustentada nos próximos anos, vitaminado pela expansão dos delivery apps, que atendem a um consumidor cada vez mais ávido por comodidade, praticidade, rapidez, novas experiências gastronômicas e soluções digitais. Em Pernambuco, o apetite dos aplicativos de refeições também aumenta, seguindo a tendência mundial e nacional de disruptura.   

No Estado, a febre dos apps delivery juntou a fome com a vontade de comer, graças, entre outros fatores, à tradição do Recife como polo gastronômico com relevância nacional e ao perfil conectado de uma capital que abriga um dos clusters de inovação mais importantes do Brasil, o Porto Digital. Resumindo: a cultura da boa mesa e o hábito de consumir tecnologia contribuíram para tornar Pernambuco um terreno fértil para negócios disruptivos no ramo de alimentação e com muito espaço para crescimento. 

Um exemplo das marcas atraídas pelas oportunidades do mercado local é a start up colombiana Rappi, famosa pela promessa de entregar comida e diversos outros produtos em menos de uma hora. A empresa foi criada em 2015, e atualmente opera no país de origem, na Argentina, Chile, México, Peru e Uruguai e Brasil.  Sobre o desempenho em Pernambuco, embora não divulgue os números, a Rappi afirma que os resultados vêm superando as expectativas e destaca a importância estratégica do mercado pernambucano para as operações no país.  

“Pernambuco é a praça mais importante no Nordeste para a marca. Vemos um grande potencial ainda por ser explorado”, afirma a diretora de Contas Georgia Sanches. “O Estado tem muita demanda reprimida por este tipo de serviço. Recife, por exemplo, é uma grande cidade, mas ainda está longe de metrópoles com características demográficas parecidas em termos de oferta de serviços de entrega”, analisa. 

Georgia Sanches
Georgia Sanches destaca Pernambuco como o mercado mais importante para a plataforma no Nordeste
Foto: Rappi/Divulgação 

Segundo a executiva, o fato de ter muito espaço para a expansão do setor justifica a velocidade do incremento dos negócios da Rappi. “Por isso, crescemos tanto nessa região. Desde o momento que cheguei em Recife, entendi que era uma cidade com hábitos particulares, e que se conecta muito com serviços personalizados, exclusivos, que atendem a necessidade específica de cada consumidor. A Rappi trouxe essa diferença, aqui quem manda é o nosso usuário, o que ele quer, a gente entrega”, sustenta. 

De olho nas exigências dos usuários locais, a empresa tem ampliado o cardápio de serviços e opções para que o cliente tenha à disposição a mesma experiência de compra que o consumidor de outras regiões estratégicas para a Rappi. “Sempre estamos lançando novidades no mercado Brasil e em Pernambuco. Nossos últimos três lançamentos, foram o meio de pagamento por QR Code ‘RappiPay’, a opção do restaurante trabalhar com a própria frota de entregadores ‘Rappi do seu jeito’ e a opção do usuário buscar seu pedido no restaurante, no modo ‘Take away”’, detalha. 

Mas o mercado não desperta a gula apenas das gigantes em ascensão. As empresas locais também querem uma fatia desse bolo, como evidencia a recém-criada holding LCP, capitaneada pela empresária Sophia Lins, dona do restaurante La Cuisine Bistrô, referência de gastronomia no Recife, e do buffet La Cuisine Eventos.  

“Percebemos uma grande oportunidade para negócios digitais na área de alimentação do Recife, seguindo o fenômeno global, e isso nos despertou para encarar o desafio da reinvenção como algo urgente. Quem não se adaptar à nova realidade de um consumidor que exige todas as facilidades permitidas pela tecnologia será varrido do mapa”, avalia. (Confira áudio de Sophia Lins) 

Sophia Lins, CEO da LCP
Sophia Lins: da comida francesa para um app com diversidade de cardápio, que vai da culinária japonesa ao hambúrguer e açaí .
Foto: La Cuisine/Divulgação

“Nesse quadro promissor e desafiador, tínhamos três diferenciais importantes, que influenciaram a definição do formato do negócio, de uma holding integrada por várias marcas e com sua própria ferramenta de delivery, ao invés de seguir o modelo de disponibilizar uma plataforma de entrega para outras empresas ou terceirizar o serviço”, explica Sophia.  

“Um fator era a estrutura de produção já disponível, no bairro da Imbiribeira, antes dedicada apenas ao La Cuisine Eventos e agora compartilhada com a LCP. A segunda vantagem era a grande sinergia com parceiros locais, o que facilitou uma integração com a Plim Pizza, que se tornou sócia nessa empreitada. O terceiro ponto era a expertise em delivery da Plim Pizza, que garantiu musculatura ao projeto”, conta Sophia. 

Esses pontos convergiram para a criação de holding, formada atualmente por oito marcas: La Cuisine, Plim Entrega, Kiro Sushi, La Cucina Trattoria, Nioi, Panda, House Burger e Açaí Original do Pará. O cardápio vai abranger da cozinha francesa moderna a japonesa, das massas à comida japonesa, do hambúrguer gourmet ao açaí. “Em breve, teremos outras novidades. Estamos em fase de desenvolvimento de outras marcas para ampliar as opções de cardápios”, revela a empresária.  

Todas as refeições serão produzidas na cozinha industrial própria, com 2,2 mil metros quadrados. Já a plataforma de entrega será o app Rekomendo, em fase de ajustes. Foram quatro meses de trabalho entre as negociações que levaram à sociedade, criação da empresa e a fase atual de aprimoramento do aplicativo – que já existia como ferramenta de delivery da Plim Pizza.  

O lançamento tem previsão de acontecer nos próximos meses. Mas, a LCP já quer mais e mira o segmento corporativo. A holding se articula para atrair para a base da sua plataforma os consumidores que trabalham, no Recife, em empresas que não têm refeitório próprio. A ideia é firmar contratos de parceria com esses negócios para que os empregados tenham acesso a áreas exclusivas no app, onde seriam oferecidos cardápios personalizados definidos pelo parceiro para seu público interno, descontos, programas de fidelidade específicos e outras vantagens. A meta para este serviço é atingir 1.000 usuários até 2021. 

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