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Em meio à crise do setor de cimento, LafargeHolcim processa óleo das praias e lixo do Grande Recife


Por: PATRÍCIA RAPOSO

Enquanto aguarda a retomada da economia, grupo franco-suíço investe em tecnologia e controle ambiental

Enquanto aguarda a retomada da economia, grupo franco-suíço investe em tecnologia e controle ambiental

Foto: Borra de óleo recolhida nas praias vem sendo usada nos fornos da produção de cimento/Foto: cortesia

07/11/2019
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É na cidade Caaporã, na Paraíba, que grande quantidade do óleo recolhido nas praias do Nordeste tem sido reciclada. É lá também que boa parte do lixo do Grande Recife vem sendo transformado, assim como o óleo, em combustível alternativo, gerando energia calorífica para a produção de cimento. 

A empresa responsável por isto é a LafargeHolcim do Brasil, que faz parte do Grupo LafargeHolcim, líder mundial da indústria de materiais de construção, com presença em 80 países. Ela é uma das fábricas de cimento no Brasil autorizadas a realizar o coprocessamento - nome dado à tecnologia empregada na destinação do óleo e do lixo.

Em meio a uma crise que derrubou o faturamento do setor de 70 milhões de toneladas para 55 milhões (previsão para 2019), deixando a capacidade instalada do país ociosa em 50%, a empresa fez investimentos em tecnologia, o que lhe permitiu o poder de processar o óleo poluente.

Borra de óleo é coprocessada na LafargeHolcim/Foto: reprodução

No acumulado do ano, de janeiro a setembro, houve uma pequena reação no setor, com um crescimento no consumo em torno de 3% em relação a 2018. “Mas a base é fraca. Quando incluímos o efeito da greve dos caminhoneiros do ano passado, a base comparativa se reduz, pois temos menos dias de vendas em 2018, comparado ao ano de 2019. Assim, o crescimento real neste ano é algo em torno de 1%.”, explica Eduardo Sales Ferreira, diretor de Marketing da LafargeHolcim Brasil.

A expectativa para 2020 é de crescimento entre 4% a 5%. “Sem dúvida é um sinal positivo. Mas a com uma capacidade ociosa de 50%, ainda estamos longe dos patamares de rentabilidade pré-crise”, completa.

Por isso que, nos últimos três anos, os planos de investimentos se concentraram na melhoria dos processos, no uso de novas tecnologias e no controle ambiental. Foi justamente devido a este plano que a unidade da Paraíba tornou-se a primeira a realizar o coprocessamento, com capacidade de processar mil toneladas mês do óleo.

O coprocessamento se estende a parte do lixo urbano do Grande Recife. Neste caso, ele ocorre quando resíduos de outras empresas são aproveitados nos fornos substituindo principalmente combustíveis fósseis – carvão mineral ou derivados de petróleo – e outras matérias-primas, como calcário, argilas e minério de ferro.

Reaproveitando os resíduos que seriam deixados como poluentes na natureza ou depositados em aterros sanitários, a indústria reduz o uso de recursos minerais finitos.

Cabe a Geocycle dar uma destinação ambientalmente correta aos resíduos industriais e urbanos. A Geocycle é uma divisão global do grupo franco-suíço presente na operação brasileira desde 1996. A empresa administra o coprocessamento de mais de 170 mil toneladas de resíduos por ano nas cinco fábricas da cimenteira: Caaporã (PB), Cantagalo (RJ), Barroso, Montes Claros e Pedro Leopoldo (MG).

O uso de drones é outro exemplo de investimentos em tecnologia. Eles foram inseridos para auxiliar na inspeção dos sistemas de evaporação e controle de poeira nas torres de resfriamento, de onde saem vapores a mil graus centigrados. Torres que podem atingir 200 metros de altura. Neste caso, os drones evitam que funcionários se arrisquem na operação.

A fábrica da Paraíba, que tem previsão de produzir 1 milhão de toneladas de cimento em 2020, abastece não só o próprio estado, mas também Pernambuco e Rio Grande do Norte, tanto nos segmentos de varejo, como obras de infraestrutura.

Além da fábrica em Caaporã, a empresa mantém no Nordeste três Centros de Distribuição, sendo um no Rio Grande do Norte (Natal) e dois Pernambuco (Recife e Cabo de Sto. Agostinho). 

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