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Tecnologia

Em plena pandemia, Bossa Nova Investimentos avança no Nordeste


Por: PATRÍCIA RAPOSO

Retomada do apetite dos investidores, que cresceu 118% em abril, acelerou parceria com a JBR Partners Capital

Retomada do apetite dos investidores, que cresceu 118% em abril, acelerou parceria com a JBR Partners Capital

Foto: João Kepler, da Bossa Nova, traz na bagagem algo que falta ao ecossistema digital local: expertise em negócios

11/06/2020
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A Bossa Nova, empresa de investimentos em negócios de tecnologia em estágio pré-seed e uma das mais ativas da América Latina, deu um passo fundamental em direção à consolidação de sua atuação no Nordeste, abrindo um leque de oportunidades para os ecossistemas digitais da região.

Vendo o apetite dos investidores por startups voltar a crescer, depois de ter esmorecido em março, quando a quarentena imposta pelo combate ao coronavírus impactou o Brasil, a Bossa Nova acelerou o lançamento de uma iniciativa de co-investidores em startups com foco no Nordeste,

“A pandemia deu visibilidade a muitas startups que detêm soluções para reduzir os efeitos negativos do lockdown e isso deu ânimo ao mercado”, diz João Kepler, sócio da Bossa Nova Investimentos.

Os investidores passaram, então, a buscar oportunidades. “E como a tendência é de consolidação dessas operações digitais impulsionadas pela pandemia, as startups tendem a prosseguir crescendo, pois muitas empresas vão, de fato, querer fazer a transformação digital’”, analisa.

Em abril, o crescimento nas empresas nacionais de VC (venture capital) foi de 118% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo informações do hub de inovação Distrito Dataminer, alcançando movimentação de US$ 144 milhões.

“Quem achava que ter um e-commerce ou rede social bastava para ser digital, viu que não é bem assim”, diz. “A pandemia forçou essas empresas a se voltar de verdade para a nova economia e a buscar escalar seus negócios”.

Por isso, a própria Bossa Nova acelerou a formalização da parceria com a pernambucana JBR Partners Capital, que vinha maturando desde janeiro e, em plena pandemia, lançou um pool para co-investir em startup, o Alphatech.

A iniciativa, que por um lado amplia e consolida a presença da Bossa Nova no Nordeste, traz para o mercado pernambucano mais expertise para ajudar as empresas locais num ponto frágil do ecossistema de inovação: a comercialização de seus produtos.

LEIA MAIS: JBR Partners Capital e a Bossa Nova Investimentos lançam pool Alphatech

“Com um ambiente de pesquisa e desenvolvimento muito forte, o ecossistema de tecnologia do Porto Digital não consegue ter a mesma desenvoltura na área comercial. E para retomar seu protagonismo nacional, o Porto Digital tem que pensar também em termos de mercado”, analisa Kepler, que é um dos mais conceituados investidores nacionais, premiado como melhor Investidor Anjo do Brasil pelo Startup Awards.

“Tem que ter o ‘cara’ de mercado. Recife não tem o braço forte de investimentos no estágio inicial. Criar esse braço neste estágio de pré-seed vai ajudar muitas startups locais”, analisa.

À frente de uma comunidade de 200 investidores e de 605 startups alavancadas, a Bossa Nova será a gestora do Alphatech, que deve contar com capital de R$ 2 milhões. Posicionando-se com pré-seed – um estágio após o Investor Anjo –  essa empresa de Micro Venture Capital  tem como meta atingir mil startups até 2021.

“Quando a gente desenvolve um pool local, estamos acelerando para chegar nas mil mais rápido e multiplicar o valor investido, porque isso maximiza os resultados e melhora a assertividade das escolhas, aumentando o apoio às startups, o que lhes dá mais chance de êxito”, diz Kepler.

“Tem uma lógica por trás da diversificação, que gera maior possibilidade de ganho. Isso porque, muitas vão ficar pelo caminho. Mas, entre mil, sai um unicórnio em 10 anos”, explica Kepler, anunciando que a meta é investir R$ 140 milhões nas mil empresas.

Portfólio

Ele conta que, ao entrar em quarentena, a Bossa Nova começou a atuar em cima do portfólio e o dividiu em 3 camadas - empresas que não têm caixa para mais que 3 meses; as que tinham caixa para até 6 meses, e as que tinham para mais de 6 meses.

“Fizemos trabalho de salvamento das que tinham caixa para 3 meses, ajudando e organizando financeiramente cada uma delas. O resultado disso foi que só uma empresa fechou. Achamos que perderíamos umas 20 empresas”, comemora.

Das 605 alavancadas, a Bossa Nova já teve 15 saídas e 42 prejuízos. As saídas são eventos de liquidez, que dão o retorno ao capital investido. Esse retorno pode acontecer com prazo de 12 meses, 4 anos, 10 anos. Varia muito conforme o perfil dos negócios. As 15 saídas em questão ocorreram antes de 10 anos, que é o prazo de maturidade. “Nosso trabalho e unir o ‘smart’ e o ‘money’”, diz Kepler.

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