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Futuro dos bancos: tecnologias desafiam os gigantes do mercado financeiro


Por: PATRÍCIA RAPOSO

Em breve, o brasileiro terá acesso ao sistema de pagamentos instantâneo e ao open banking. As maquininhas de cartões e os próprios cartões podem estar com os dias contados.

Em breve, o brasileiro terá acesso ao sistema de pagamentos instantâneo e ao open banking. As maquininhas de cartões e os próprios cartões podem estar com os dias contados.
01/12/2019
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As inovações trazidas pela tecnologia estão provocando uma grande transformação no sistema financeiro. Plataformas digitais, e-wallets, fintechs e muitos outros recursos estão se popularizando ao ponto de fazer os gigantes do sistema financeiro saírem da zona de conforto.

Somando-se a isso, o Banco Central (BC) vem promovendo uma gradual mexida no mercado brasileiro, estimulando a desconcentração das operações nos brancos tradicionais. Alguns começaram a reagir, como o Itaú e o Santander, que já criaram suas plataformas digitais abertas.

O Itaú lançou a iti, voltada a pagamentos digitais, que atende até quem não é cliente, oferecendo um arranjo de pagamento diferente, com maquininhas que têm opção de exibir o QR-Code. A plataforma do Santander é destinada a investimentos e chama-se Pi. Também é aberta a não correntistas do banco e traz a oferta de produtos de terceiros.

São movimentações que mostram a preocupação desses gigantes com o que o futuro lhes reserva. E tudo indica que o futuro trará uma grande concorrência, jamais vista antes.

Em breve, o brasileiro terá acesso ao sistema de pagamentos instantâneo e ao open banking. As maquininhas de cartões e os próprios cartões podem estar com os dias contados. As facilidades de pagamentos vão reduzir custos e encerrar alguns modelos de negócios.

O BC pretende lançar o sistema de pagamentos instantâneo em 2020, para funcionar 24 horas por dia e sete dias por semana. Será uma alternativa à Transferência Eletrônica Disponível (TED) e ao Documento de Ordem de Crédito (DOC).

A meta é que a transferência leve entre 10 e 20 segundos, contra os cinco minutos em média dos TEDs. Para isso, não será necessário inserir dados do recebedor como: banco, agência, conta ou mesmo CPF.

Essa modalidade já realidade em vários países. Na Europa, a PSD2 é plataforma open banking usada para as transações. Nos Estados Unidos, a Zelle é usada pelos bancos tradicionais; a Itália usa a Clabe, e a Índia, a Lipi.

O sistema consiste num aplicativo, a ser oferecido por um PSP (Prestador de Serviço de Pagamento), que realizará os pagamentos com QR Code. Isso permitirá a redução dos custos de pagamento, beneficiando comércios e empreendedores menores, pois o uso das máquinas de cartão será dispensado e o valor recebido em tempo real.

QR Code chega para ficar no setor

Os pagamentos instantâneos poderão ser usados para transferências entre pessoas (transações P2P, person to person), entre empresas e pessoas físicas (B2P, business to person),ou entre pessoas e estabelecimentos comerciais (P2B, person to business ) e ainda entre empresas (B2B, business to business). Podem ser usados em transações físicas (lojas) ou virtuais (comércio eletrônico).

Já o Open Banking, que também vai impactar bastante o mercado financeiro, traz o conceito de que o usuário é dono das suas informações bancárias e não os bancos e, assim, permitirá que as pessoas movimentem suas contas a partir de diferentes plataformas e não só pelo aplicativo ou site do banco.

Em outras palavras, os dados deixam de pertencer a bancos específicos e poderão ser compartilhados com diversas plataformas, como as fintechs, por exemplo. Quando o open banking entrar em vigor – o BC ainda não se posicionou sobre o prazo -, os bancos ficam obrigados a liberar esses dados caso seja de interesse do cliente.

Esse compartilhamento se dará através da interface de programação de aplicativos (API, na sigla em inglês), um conjunto de padrões de programações que permite que sistemas diferentes interajam entre si. As APIs são usadas em aplicações de vários tipos e não apenas em plataformas financeiras.

Outros arranjos também estão interferindo nas operações do sistema bancário tradicional. A Stefanini, empresa de soluções bancárias, tem na plataforma Topaz, homologada junto do BC, recursos que permitem a empresas criarem seu próprio sistema financeiro. A Topaz também consegue, por exemplo, operacionalizar fintechs. Isso significa que, se alguém deseja montar um banco digital, pode recorrer à plataforma.

“No futuro, as contas poderão ser bancárias ou não bancárias”, diz Wallace Labanca, especialista de Digital Banking da Stefanini. Esta última modalidade, poderá realizar operações semelhantes às de um banco sem estar atrelada a um.

Cooperativas de crédito

Como se não bastasse, a desconcentração bancária estimulada pelo BC tem alavancado o segmento das cooperativas de créditos. Surgidas no Sul do Brasil, em 1902, por questões culturais  ficaram restritas àquela região por décadas. Há dez anos, porém, a Lei Complementar N.º130 criou o marco regulatório para o cooperativismo, dando mais segurança às novas iniciativas e as cooperativas de crédito passaram a se espalhar pelo país.

“Elas oferecem os mesmos serviços que um banco, mas têm a vantagem de distribuir o lucro ao final de cada ano com seus cooperados”, diz Kedson Macedo, presidente da Confederação Brasileira de Cooperativas de Crédito (Confebras).

Na chamada Agenda BC#, o BC impõe metas claras: as cooperativas de crédito devem alcançar 20% das operações do Sistema Financeiro Nacional até 2022. “Diante do desafio, as lideranças do setor estão empenhadas em abrir novos espaços mercadológicos. o cooperativismo tem muito a avançar no Brasil e boa parte dessa oportunidade está concentrada no Nordeste”, diz Macedo.

Assim como crescem as cooperativas, crescem as gestoras de fundos, outro segmento que se beneficia do descolamento de clientes dos bancos tradicionais.  “As pessoas estão deixando de investir com os bancos tradicionais. Esses bancos tendem a ficar só com operações de crédito, conta corrente, cartões, pagamentos. Modelo muito comum fora do Brasil”, analisa Hermano Menezes, sócio-diretor da gestora pernambucana Multinvest Capital.

“Hoje, a grande maioria dos empresários está nas mãos de quatro, cinco bancos. Se o banco não lhe cede crédito, eles ficam sem opção. Não é à toa que a desconcentração bancária vem se firmando como uma oportunidade para instituições como a XP e se tornando uma tendência crescente no Brasil”, analisa Thiago Pflueger Andrade, sócio da Athena Investimentos, que representa a XP em Pernambuco.

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