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Marco Legal do Saneamento ativa otimismo entre as seguradoras


Por: PATRÍCIA RAPOSO

Setor de seguro espera uma onda de contratações de apólices com as grandes obras que estão por vir

Setor de seguro espera uma onda de contratações de apólices com as grandes obras que estão por vir

Foto: A meta, com o novo marco, é garantir o atendimento de 99% da população com água potável /Foto: Pixabay

01/12/2020
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Após decrescer 26% em abril e 22% em maio, o segmento de seguros agora experimenta o alívio da expansão. A arrecadação do setor segurador deverá fechar 2020 em alta - entre 3,5% e 4% - e pode voltar à casa de dois dígitos em 2021, caso o PIB confirme a trajetória positiva no próximo ano. Mas é novo Marco Legal do Saneamento Básico que está ampliando o otimismo nas seguradoras.

Hoje, no Brasil, 35 milhões de pessoas não têm acesso à água tratada e mais de cem milhões não contam com serviços de coleta de esgoto. A meta, com o novo marco, é garantir o atendimento de 99% da população com água potável e de 90% com tratamento e coleta de esgoto até 31 de dezembro de 2033.

A lei padroniza as regras para os investimentos, conferindo segurança jurídica, o que é fundamental para atrair os aportes da iniciativa privada. O governo federal estima que serão necessários cerca de R$ 500 bilhões para as obras, gerando 700 mil empregos, em 10 anos. “Isso vai movimentar muito o mercado de seguros, fazendo com que nossa participação no PIB tenha um incremento muito grande”, estima Ronaldo Dalcin, presidente do Sindicato das Seguradoras Norte e Nordeste. Em 2019, a participação do setor no PIB foi de 6,7%.

O incremento tende a ocorrer porque obras muito estruturais requerem diversas modalidades de seguros, como o seguro de garantia, que permite a contratação de outro fornecedor caso o que venceu a licitação não possa dar continuidade à obra, ou o seguro de risco de engenharia, que cobre erros de projetos. Mas há ainda os seguros de vida em grupo, para funcionários, e os seguros para os equipamentos, entre outros.

Crescimento

Até esses contratos saírem do papel, as seguradoras seguem se recuperando da forte retração provocada pela pandemia. “O pior momento já passou”, diz Dalcin. De fato, em julho, o setor voltou a crescer, alcançando o patamar pré-pandemia, quando avançou 14,3% sobre o mês anterior, segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg). De lá para cá, houve alta nas vendas de diversas modalidades.

A procura pelos seguros de vida subiu 8,4% em setembro (comparado com mesmo período de 2019),  estimulada pela ameaça de uma doença misteriosa e altamente contagiosa. A inovação nesta categoria veio através de alguns prêmios atrelados à telemedicina. Nesta modalidade, as seguradoras, fazem parcerias comerciais com hospitais para prestar o serviço. A Tokio Marine, por exemplo, fechou com o Hospital Albert Einstein, de São Paulo. “O Indicador de utilização se acelerou 30% na Tokio Marine durante a pandemia”, diz Ronaldo Dalcin, que também é superintendente comercial Varejo Nordeste da seguradora.

Outro seguro que viu as vendas subirem foi o residencial, o que se explica pelo confinamento, principalmente porque muita gente passou para o regime home office. A alta foi de 5% em setembro, quando comparando com setembro de 2019.

O seguro prestamista, aquele que dá cobertura em caso de morte do adquirente de um bem, foi outro que teve grande procura, registrando alta de 52,9% em setembro quando comparando com o mesmo mês de 2019.

Ainda naquele mês, cresceram as vendas dos seguros para automóveis, com incremento de 2,7%. Isso se deve à retomada da produção por parte da indústria automobilística.

Um fato interessante ocorreu no Turismo. Depois de os seguros-viagens amargarem forte decréscimo, devido à queda nos embarques internacionais, voltaram a reagir graças às contratações que passaram a ser feitas pelas operadoras locais para os serviços de transporte de passageiros em vans e ônibus, os chamados transfers.

Dalcin diz que as seguradoras também precisaram se readaptar como os demais setores. “Claro que ainda estamos ajustando alguns pontos e revendo nossos planejamentos”, reflete. O setor também se deparou com a transformação digital, fazendo melhor uso do ambiente virtual, através das diversas ferramentas que já estavam à disposição, mas que não eram tão usadas.  

Ronaldo Dalcin: otimismo

 

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