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Mercado de construção muda de humor e acelera lançamentos


Por: PATRÍCIA RAPOSO

Queda na Selic e confiança no governo levam empresários a tirarem projetos da gaveta

Queda na Selic e confiança no governo levam empresários a tirarem projetos da gaveta

Foto: Retomada das obras no setor: mais empregos em 2020/Foto: arquivo Agência Brasil

13/12/2019
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A queda da Selic ao patamar de 4,5% ao ano está levando as construtoras a tirar os seus projetos da gaveta, após quase três anos represando os lançamentos no mercado imobiliário por falta de demanda.

Na última quarta-feira (11), o Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central, cortou os juros básicos da economia em 0,5 ponto percentual, fazendo a taxa Selic atingir o menor nível da série histórica, iniciada em 1986. A Selic é o principal instrumento para manter a inflação sob controle.

No mesmo dia, à noite, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal comunicaram redução nas suas taxas de juros para financiamentos imobiliários. O Banco do Brasil reduziu a taxa para  o crédito imobiliário de 1,34% ao mês para 1,30% ao mês, na faixa mínima; e de 1,72% para 1,68% ao mês, na faixa máxima.

Já a Caixa Econômica anunciou queda na taxa mínima fixa do crédito imobiliário de 6,75% ao ano mais a TR (Taxa Referencial), hoje zerada, para 6,5% ao ano mais a TR. A linha só vale para quem tem conta na Caixa, recebe salário pelo banco e tem outros produtos contratados.

LMA

Os resultados já começam a parecer. A LMA Empreendimentos é uma das empresas que decidiu antecipar lançamentos. Há dois meses, a construtora lançou um residencial na Zona Norte da Capital alcançando 60% de vendas. “Vamos retomar outra obra que estava parada na Zona Sul e, após o Carnaval, anteciparemos um lançamento que faríamos apenas no segundo semestre”, explica o proprietário Leonardo Albuquerque.

O que motiva o empresário são algumas medidas tomadas pelo governo como a liberação do FGTS, a contenção de gastos públicos, além da baixa dos juros, que faz muita gente tirar o dinheiro da poupança para investir, inclusive em imóveis. Outro fator pesou na decisão: a confiança no governo.

Leonardo Albuquerque, da LMA, vai antecipar lançamento

“A política do ministro Paulo Guedes me deu segurança”, declarou Albuquerque. Para ele, a liberação do FGTS, de R$ 500,00 (agora podendo chegar R$ 998, em alguns casos), foi um ponto importante. “Parece pouco, porque ninguém compra carro ou apartamento com esse valor, mas esse dinheiro vai direto para o comercio, fazendo a economia girar e nos beneficiando indiretamente”, analisa.

Nos últimos anos, devido à crise, o setor de construção retraiu lançamentos e viveu de estoques. Isso fez o preço do metro quadrado cair quase 30% no Grande Recife. Mas com a expectativa do retorno dos lançamentos em 2020, a tendência é de o preço se recuperar rapidamente.

“Passamos por uma fase na qual as pessoas que sobreviveram ao desemprego retraíram seu consumo, recusando compromissos de longo prazo por medo de também ser demitido. Mas essa fase foi superada. O humor começa a mudar nas empresas e as pessoas ganham mais confiança no futuro”, reflete Albuquerque, que já iniciou contratações no setor administrativo e pretende contratar 200 funcionários para as obras.

As condições só não são melhores, porque o financiamento bancário para tomada de recursos destinado às obras ainda está alto. A LMA tomou empréstimo com juros 0,9% a mês, na Caixa Econômica Federal. “Há dois anos, custava 1,9% ao mês. A queda nos juros tem que chegar na ponta. O ideal seria os 4,5% ano da Selic”, diz.

Exata

A Exata Engenharia também lançou um residencial, alcançando 80% de contratos fechados. “Foi um lançamento bastante planejado, consultamos outros mercados”, explica o diretor presidente da Exata Engenharia, Eduardo Carvalho. “Os reflexos da retomada da construção em São Paulo, onde o setor cresceu 70% este ano, começam a chegar a Pernambuco”.

A diretora comercial, Camila Correia de Carvalho, analisa que três fatores contribuíram para o sucesso do lançamento: “Represamos os clientes desde julho num trabalho estratégico com uma corretora parceira, além disso, o mercado estava carente de novidades há um bom tempo. O terceiro ponto foram as condições que criamos para os pagamentos”.

As condições especiais têm como lastro um branco privado. Ao assinar o contrato de compra, o cliente paga 30% do imóvel até a entrega das chaves, em 40 meses. Ao receber o imóvel, quita o restante do valor ou assina contrato de financiamento. “Ele terá 40 meses para pagar 30% do apartamento, e os outros 70% restantes ele só paga com o imóvel pronto, ou financia essa diferença”, destaca Camila.

MRV

O gestor da MRV para Pernambuco, Alexandre Resende, também confirma lançamentos e contratações para 2020. “Já lançamos três empreendimentos agora em dezembro e previsão é de mais oito até o final e 2020. É um plano agressivo, porque estamos apostando na evolução do mercado”, diz. A MRV voltou a contratar e deve ampliar a equipe de vendas em mais 100 pessoas nos próximos meses.

PPPs

Para o cenário ficar ideal, o retorno da Parcerias Público Privadas (PPPs) seria fundamental, pois abrira possibilidade para realização de obras públicas, de grande envergadura, num ambiente econômico no qual falta caixa ao governo do estado para investir.

“Temos muitas empresas em condições de fazer PPPs e muitas obras a serem feitas, seja de saneamento, estradas ou infraestrutura”, analisa Leonardo Albuquerque.

O retorno às PPPs foi, inclusive, defendido pela economista Tânia Bacelar, num evento realizado pelo LIDE Pernambuco, no qual ela apresentou as perspectivas para Pernambuco em 2020. “Se o modelo anterior não funcionou, o governo precisa ser mais criativo e desenhar um outro que funcione. O que não pode é não ter. Obras fundamentais, como Arco Metropolitano, estão fora da agenda e não podem ficar fora da agenda, porque são necessárias ao desenvolvimento do estado”, alertou.

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