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Nordeste bate recorde de geração eólica


Por: REDAÇÃO Portal

Período de safra de ventos, com velocidade que chegam a 60 km/h, faz região exportar energia

Período de safra de ventos, com velocidade que chegam a 60 km/h, faz região exportar energia

Foto: Neste época do ano, Região se torna exportadora de energia/foto/Foto: Ari Versiana/divulgação PAC

04/09/2020
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Patrícia Raposo e Juliana Albuquerque

O Nordeste tem batido recordes sucessivos de geração de energia eólica nos meses de julho a setembro, época de ventos mais fortes na região, onde a velocidade pode alcançar até 60km por hora na faixa litorânea, devido aos ventos alísios, e uma média 40 km no interior.

Em agosto passado, historicamente um mês de ventos fortes, foi registrado novo pico de geração, alcançando 10.169 MW, com um fator de capacidade de 81%. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), esse montante foi suficiente para abastecer naquele minuto 97% da demanda de toda a região Nordeste, ou seja, mais de 18 milhões de domicílios. O recorde anterior foi de 10.121 MW, no dia 20 de junho de 2020.

Historicamente, nos meses de agosto e setembro acontece a chamada “safra de ventos”. Por isso, nesta época, é comum haver os recordes anuais de produção. Segundo o ONS, a região é favorecida pela atuação de ventos com uma velocidade bem superior à necessária para geração de energia, além de ser unidirecional e estável, permitindo geração contínua.

Segundo Roni Guedes, meteorologista da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), os ventos têm tido crescente intensidade, com rajadas no litoral que alcançam a média de 36 km/h e, no interior, acima de 40km/h, devido às diferenças de pressão e relevo. “Trata-se de um efeito físico que favorece a elevação da velocidade”, explica. Por isso, vários projetos de geração eólica estão no Agreste ou Sertão pernambucanos.

“Nesta época do ano, deixamos de importar 4 mil MW para exportar 8 mil MW”, diz Rodrigo Melo, sócio fundador da pernambucana Kroma Energia. Ele explica que o cenário começou a virar em 2019. “Hoje, as exportações atingem 30% da produção, sendo que desse total, 60% são de geração eólica”.

Não é à toa que os investimentos em geração eólica têm crescido muito e hoje esse tipo de energia é a matriz mais ampla, respondendo por 75% de tudo que é produzido no Nordeste.

“Isso é muito bom, porque como a região é o berço das energias renováveis, vento e sol, o empresariado começa a abrir os olhos para a possibilidade de gerar sua própria energia”, analisa Rodrigo Melo.

Rodrigo Melo/Divulgação

A energia solar também vem ganhando espaço na região. Embora sua geração conte com apenas 2,928 GW de potência instalada no País, correspondendo a 1,6% de toda a matriz energética brasileira, os investimentos têm crescido. Além prevalecer (99,8%) na micro e minigeração distribuída em residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos, o segmento recebe investimentos de grande porte.

A própria Kroma, que já tem produção no Ceará - Complexo Apodi com capacidade para 162 MWp em parceria com as norueguesas Equinor e Scatec Solar -- está investindo R$ 250 milhões na geração de 100 MWp de energia solar no município de Flores, em Pernambuco, em parceria com a Z2. Nesse negócio, 70% da energia gerada será para atender a contratos bilaterais de empresas que buscam gerar sua própria energia e só 30% vendidos ao sistema. 

A busca por posicionamento de ambiental e certificados verdes tem feito com que muitas empresas busquem consumir energia renováveis, abrindo o mercado para a geração própria. E quando a empresa não faz investimentos em instalações para geração, contrata de terceirizadas, modelo explorado pela Kroma e outras empresas do setor.

Segundo dados do (ONS), a energia eólica representa 9,5% da capacidade instalada na matriz elétrica brasileira, ficando atrás da hidrelétrica (69,4%) e térmica (18,2%). Porém, a representatividade desse tipo de geração deve crescer nacionalmente nos próximos anos e atingir, até 2024, 11,4% da matriz. E o Nordeste promete ter muita relevância nesse cenário.

Em ordem de geração, dados de junho passado, divulgados pelo ONS, apontam que os estados da Bahia, Rio Grande do Norte e Piauí lideram o ranking dos maiores geradores da região. A Bahia com 2.357 MW; Rio Grande do Norte com 1.717 MW e Piauí com 1.022 MW. Essa energia gerada seria suficiente para atender 50 milhões de habitantes.

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