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Nordeste começa a receber "Corredores Azuis" para o gás


Por: PATRÍCIA RAPOSO

Até meados de 2020, a Golar Power Latam vai criar um “Corredor Azul”, ligando o Recife a Petrolina, com pontos de abastecimento de Gás Natural Liquefeito (GNL)

Até meados de 2020, a Golar Power Latam vai criar um “Corredor Azul”, ligando o Recife a Petrolina, com pontos de abastecimento de Gás Natural Liquefeito (GNL)

Foto: Os primeiros veículos da marca Shacman já estão em solo nacional/Foto: Divulgação

09/12/2019
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Até meados de 2020, a Golar Power Latam vai criar um “Corredor Azul”, ligando o Recife a Petrolina, com pontos de abastecimento de Gás Natural Liquefeito (GNL). O primeiro passo foi dado nesta segunda-feira (09), em Sergipe, estado por onde começa a interiorização da distribuição do gás por via rodoviária e, a partir do qual, a rede de Corredores Azuis irá se expandir por todo o Nordeste.

A Golar Power Latam é uma joint venture formada entre a norueguesa Golar LNG e o fundo Stonepeak, líder no mercado de GNL no mundo. Durante o Fórum Sergipano de Petróleo e Gás, a Golar Power firmou parceria com a Alliance GNLog, empresa de logística dona de uma frota de caminhões movida exclusivamente a GNL. A parceria marca  o início das atividades da Golar como supridora do combustível para veículos pesados e em operações small scale (Golar SSLNG). 

Small scale consiste no resfriamento de grande quantidade do produto para reduzir seu volume e dar escala ao transporte. Assim, o resfriamento do gás permite reduzir o seu volume em até 600 vezes.

Na operação, a Golar fornecerá o combustível, enquanto a Alliance GNLog fará o transporte do gás para indústrias - que serão atendidos com gás não só para uso em suas operações, mas podendo adotar caminhões para sua frota.  Os primeiros quatro veículos da marca Shacman já estão em solo nacional. O Grupo Maratá foi o primeiro a firmar protocolo se comprometendo a converter 25% de sua frota para essa modalidade de transporte.

“Vamos começar operando nas BR-101 e BR-235”, explica Marcelo Rodrigues, vice-presidente executivo da Golar Power.  Ele apresentou o projeto dos Corredores Azuis aos governadores do Nordeste, em Paris, no mês de novembro, durante missão do Consórcio Nordeste pela Europa.

“O projeto foi muito bem recebido e até o final de 2020 estaremos com corredores em toda região e 15 posto”, revela Rodrigues, explicando que três postos serão suficientes para o corredor Recife-Petrolina, já que os caminhões têm autonomia de mil quilômetros.

Incentivos

Em Sergipe, a Golar conseguiu que o governador Belivaldo Chagas concedesse incentivos fiscais ao gás, reduzindo o ICMS vigente sobre o Gás Natural Veicular (GNV) de 18% para 12%, estimulando a ampliação do número de postos.

Mas a atenção dada ao gás também tem promovido investimentos na indústria: a Cerâmica Serra Azul, instalada em Nossa Senhora do Socorro, vai construir uma terceira linha de produção com investimentos de R$ 45 milhões, ampliando sua capacidade em um milhão de metros quadrados/mês, gerando mais 100 empregos e expandindo o consumo para 10 milhões de metros cúbicos de gás natural ano.

Abertura

A Golar acredita que, com a abertura do mercado promovida pelo governo federal e as recentes mudanças no marco regulatório do gás, o cenário se torne favorável para reduzir a dependência da importação do diesel e promover a “interiorização” do GNL, atendendo regiões que não contam com gasodutos.  

Em Sergipe, a Golar detém a maior e usina termoelétrica a gás natural da América Latina, a UTE Porto Sergipe I, situada em Barra dos Coqueiros, na Região Metropolitana de Aracaju, numa parceria com a EBRASIL (Eletricidade do Brasil). Fruto de investimentos da ordem de R$ 6 bilhões, tem capacidade de 1.551 MW, o suficiente para suprir 15% da demanda de energia do Nordeste.

Marcelo Rodrigues, vice-presidente da Golar Power

A unidade é acoplada a um terminal de regaseificação, o primeiro de uma empresa privada no país, com capacidade de processamento de 21 milhões de metros cúbicos diários de gás natural. A termelétrica vai consumir pouco menos de um terço da capacidade total do terminal, abrindo possibilidade de regaseificação de GNL para fornecimento ao mercado.

A expectativa é que haja forte aderência do mercado ao novo combustível e aos novos caminhões, resultando na importação de mais unidades num curto prazo e a expansão de pontos de abastecimento, não só ao longo dos “Corredores Azuis”, como também em instalações dedicadas nas bases de clientes.

A Golar Power pretende implantar Corredores Azuis nos moldes dos que já existem na Europa. Lá, a malha é composta por quatro corredores principais, com mais de 10 mil quilômetros de vias que atravessam mais de 15 países, e servem a ônibus e caminhões em rotas como Estocolmo – Lisboa. O GNL é preferencialmente usado em veículos pesados, resultando em benefícios econômicos, ambientais e para a saúde pública.

O projeto para o Brasil prevê a instalação de 35 postos de abastecimento, em 11 eixos de corredores rodoviários, por onde há intenso fluxo de transporte de carga e escoamento da produção agrícola. No mapeamento prévio da Golar foram definidos os corredores que passam pela região Sudeste e Sul (São Paulo – Rio de Janeiro; São Paulo – Belo Horizonte; São Paulo – Curitiba; São Paulo – Campinas); Sudeste e Nordeste (São Paulo – Feira de Santana); e ainda: Mato Grosso (entre Sinop e Rondonópolis); Mirituba (PA); Paranaguá (PR); Boa Vista (RR) – Manaus (AM); Porto de Itaqui (MA) – São Luiz (MA); e Barreiras (BA) – Salvador (BA).

 

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