Carregando
Recife Ao Vivo

CBN Recife

00:00
00:00
Projetos e Eventos

Petroquímica Suape é a empresa do ano pelo Balanço Empresarial


Por: REDAÇÃO Portal

Após privatização, empresa reverte prejuízos e emerge como um grande negócio

Após privatização, empresa reverte prejuízos e emerge como um grande negócio

Foto: Foto: divulgação

02/09/2019
    Compartilhe:

Em maio de 2018, após nove meses de negociações, a Petrobras concluiu a venda de 100% das ações da Companhia Petroquímica de Pernambuco (Petroquímica Suape) e da Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe) para o grupo mexicano Alpek. O negócio envolvendo as duas empresas foi fechado por R$ 1,523 bilhão (cerca de US$ 435 milhões), bem abaixo dos R$ 9 bilhões investidos na implantação das unidades. Começava ali um árduo trabalho de retomada do crescimento.

Em 2017, a Petroquímica registrou um prejuízo de R$ 122,9 milhões. O capital de R$ 4,4 bilhões foi praticamente perdido com os prejuízos acumulados em R$ 4,5 bilhões. Mas, no balanço que publicou em maio, a Petroquímica Suape revelou um surpreendente desempenho: saiu do prejuízo para um lucro líquido de R$ 254,6 milhões em 2018.

Carlos Flores, CEO da Petroquímica Suape/Foto: divulgação

A Petroquímica não se posicionou no top de nenhum indicador do Balanço Empresarial, mas a sua pontuação de destaque entre os primeiros lugares de quase todos eles, lhe garantiu a posição de empresa do ano. A PQS é hoje a única produtora nacional de PTA, que é a matéria-prima para produção do PET.

Foram números impressionantes para uma empresa que estava afundada em dívidas. A variação do imobilizado foi de R$ 71 milhões. A receita líquida alcançou R$ 1,754 bilhão e a rentabilidade do patrimônio líquido foi de 101%.

Localizada no Complexo Industrial de Suape, em Ipojuca, Região Metropolitana do Recife (RMR), a Petroquímica Suape tinha muita dificuldade para escoar a produção e enfrentava entraves para alcançar melhor margem de vendas no cenário nacional.

Qual foi o segredo para este desempenho? “Nós chegamos numa etapa em que o ciclo do poliéster estava com preços e margens muito bons. Mas também trabalhamos muito a cultura da empresa – crenças, comportamento, símbolos. A empresa estava muito judiada, mas encontramos aqui uma terra fértil, com os funcionários que precisávamos. E eles só necessitavam de motivação”, revela o CEO da indústria, o mexicano Carlos Flores.  

A análise do balanço da petroquímica indica ainda outros fatores para esse bom desempenho, como a integração e compartilhamento tecnológico de suas unidades no mundo, o relacionamento com clientes globais e locais, a melhoria na eficiência operacional e na governança, além do aumento das vendas e das margens internacionais do PTA.

As vendas de PTA da Petroquímica são majoritariamente efetuadas em Pernambuco, para atender a seu maior cliente, a Indorama Polímeros, que comprou a M&G Polímeros em março de 2018.

Importante salientar que a petroquímica fez um aporte de R$ 1,5 bilhão, basicamente utilizado para liquidar todas as suas dívidas.

Além disso, fez investimentos de US$ 5 milhões em processos, sistemas, melhores práticas. Outro passo importante foi a entrada no mercado livre de energia, que permitiu uma economia 17%, com previsão de chegar a 40% em 2024.

“Estamos nos preparando para uma solução de mais largo prazo, que é a cogeração com uso do gás, mas dependemos da quebra do monopólio neste mercado”, analisa o CEO. Há planos para investir num parque eólico para gerar energia sustentável em algum ponto do Nordeste e estudos em curso para alcançar a meta de zero descarga da água. “Vamos reciclar tudo”.

O maior desafio atual é superar o gargalo da planta de produção de fios de poliéster (POY), que ficou inconclusa. “As máquinas de fiação estão em um armazém, esperando que o projeto seja concluído. Nossa principal preocupação agora é viabilizar a texturização (produção de DTY) e completar o projeto da planta de Fiação”, explica Flores.

É um passo importante. Ajudará o Brasil a reduzir a importação de fios texturizados de poliéster. Das 300 mil toneladas consumidas pelo mercado nacional, 85% ainda são importadas. A empresa quer produzir 120 mil toneladas de POY num primeiro estágio, das quais 100 mil toneladas seriam texturizadas (DTY) e 20 mil toneladas seriam vendidas no mercado doméstico.

Mas, para isso é preciso trabalhar alguns aspectos como, a volatilidade dos preços internacionais; predominância da China; barreiras tarifárias; disparidade tributária interestadual do Brasil; taxas de frete e competitividade do mercado têxtil nacional.”

Notícias Relacionadas

Comente com o Facebook