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Fusões & Aquisições: Potencial do NE faz Ondina Investimentos mudar sede do Rio para o Recife


Por: PATRÍCIA RAPOSO

Região desperta interesse do mercado de fusões e aquisições, que este ano ja cresceram 23%

Região desperta interesse do mercado de fusões e aquisições, que este ano ja cresceram 23%
11/11/2019
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A Ondina Investimentos, que detém expertise em processos de fusões e aquisições, valuation, estruturação de novos negócios, captação de recursos, e reestruturação de passivos, tomou uma decisão estratégica: trocar a sede do Rio de Janeiro para o Recife.

A chegada da Ondina ao mercado pernambucano está relacionada com o potencial que o Nordeste oferece nestes novos tempos de Selic no piso histórico. A Ondina é mais uma empresa que se volta para a região, o novo eldourado do mercado de investimentos.

Coube ao sócio Arthur Machado a missão de desbravar esse território. Baiano, ele trabalhou por 11 anos na PWC, tendo participado de projetos de assessoria em compra e venda de empresas. Na unidade de São Paulo, ficou Felipe Aquino, que possui uma década de experiência em consultoria financeira, desenvolvimento de novos negócios, estudos de viabilidade, captação de recursos e reestruturação de dívidas. Nesta entrevista, Machado fala sobre o potencial que enxerga nas empresas nordestinas. Confira:

Arthur Machado

Movimento Econômico: O que traz a Ondina Investimentos para o Nordeste?

Arthur Machado - Sou baiano e conheço o potencial da região. Apesar de fundarmos a Ondina no Rio e São Paulo, sempre tivemos como foco o Nordeste, especialmente Pernambuco e Bahia. A mudança da sede para o Recife, no início de 2019 (continuamos com escritório em São Paulo), visa priorizar ainda mais a região.

ME- Que análise a Ondina faz do mercado Nordestino diante do contexto nacional?

AM - Os nove estados do Nordeste representam em torno de 15% do PIB nacional, praticamente o mesmo percentual da região Sul, e tem enorme potencial de crescimento. Por outro lado, possuímos na região uma série de benefícios, o que muitas vezes faz sentido, como estimulo ao desenvolvimento, mas pode mascarar ineficiências internas nas Empresas.

A tendencia é que no atual governo federal, com viés liberal, diminua esses estímulos. O BNDES, por exemplo, está de forma gradual adotando taxas a mercado e deixando o mercado de capitais cada vez mais atrativo como fonte de financiamento, como já acontece em países desenvolvidos.

Aqui no Nordeste, percebemos que o Banco do Nordeste (BNB) continua com taxas subsidiadas e muito atrativas, mas é importante que o empresário perceba o nível de sua dependencia a esses instrumentos, pois isso pode atrapalhar no longo prazo.

Recentemente estive com um empresário do setor de alimentos de Juazeiro (BA), que demonstrou não ter interesse nesse tipo de benefício, o que me pareceu interessante. Não é o caminho mais fácil, mas certamente o trará vantagens competitivas mais adiante.

ME - Isso abre potencial para o mercado de M&A (mergers and acquisitions, o mesmo que fusões e aquisições) no Nordeste?

AM - Os tipos de transações de M&A são dos mais variados e pode envolver aquisição de 100% ou aquisição de controle com manutenção dos fundadores, e ainda a entrada de investidores financeiros, entre outros formatos possíveis de transação. Normalmente, os fundadores são fundamentais nesse processo, podendo fazer transições, ou até continuar no negócio por tempo indeterminado. As transações podem envolver capital na empresa (para crescimento, reforço de capital de giro, pagamento de dívidas, etc) ou no bolso dos sócios. É importante ressaltar que fazer uma transação vai muito além de simplesmente vender o negócio e entregar as “chaves” para um comprador.

ME - Qual a expectativa do mercado de M&A para os próximos anos?

AM - As transações aumentaram 23% (em quantidade) no período de janeiro a outubro de 2019, comparado ao mesmo período de 2018, explicado, ao meu ver, principalmente pela expectativa que o mercado possui na retomada da economia. Com expectativa de crescimento do PIB acima de 2% a partir de 2020, a tendencia é que a quantidade de transações continue em nível elevado ou até supere 2019. A Selic baixa ajuda bastante, já que “empurra” os investidores a tomar mais risco, e buscar boas oportunidades na economia real. Para os empresários locais, é um ótimo momento para atrair um sócio que possa apoiá-lo no crescimento, já que, além de capital, eles também podem aportar gestão, governança, melhorias operacionais, comerciais ou até tecnológicas.

ME - Qual a vantagem de um M&A que em geral os empresários não observam?

AM - Percebo que, ao cogitar iniciar conversas com investidores financeiros, os empresários muitas vezes os enxergam apenas como uma forma alternativa de captação de recursos. Mas vai muito além disso. Se trata de alguém que está disposto a dividir riscos e isso cria total alinhamento de interesses. Os fundos de private equity, por exemplo, estão acostumados a fazer esse tipo de transação e conseguem apoiar bastante o empresário na melhoria da gestão e governança corporativa, com criação de acordo de sócios e conselho de administração, por exemplo. Se trata de uma evolução em todos os sentidos, já que vai do aumento de receitas e margens até a profissionalização do negócio.

ME - Qual o perfil de negócios que o investidor mais busca? Ou ele tende a focar mais no modelo de negócio?

AM - O perfil que se busca varia por investidor. Além de vários grupos que tem na sua estratégia o crescimento via aquisições, em setores como educação (principalmente escolas atualmente) e saúde, hoje no Brasil temos uma industria de fundos de private equity, que investem em negócios de capital fechado, muito desenvolvida e fazendo todo tipo de transação, nos mais variados portes e setores. Em comum, eles buscam negócios com modelos comprovados e grande potencial de crescimento.

ME - Quais os primeiros passos nesta direção?

AM - Criar uma expectativa de valor fundamentada é essencial para um processo de M&A ser bem sucedido. As metodologias utilizadas de avaliação economica (valuation) são a de fluxo de caixa descontado (em que são projetados os fluxos de caixa da empresa para os próximos anos, e estes fluxos são trazidos a valor presente por uma taxa de desconto que reflita o risco do negócio), e através da metodologia de múltiplos de mercado, em que a empresa é avaliada por comparáveis de mercado. As duas metodologias utilizam abordagens diferentes e complementares.

ME - Em geral, a demanda pelo valuation vem do investidor ou dos empresários? Em que momento deve ser feito?

AM - Ambos. O investidor certamente irá preparar um valuation antes de enviar uma oferta. Mas para que o empresário saiba se a oferta é boa, é imprescindível que também faça o seu valuation. Normalmente esses estudos não são divulgados para o outro. O ideal é que o empresário realize o valuation no início do processo, já que servirá como instrumento de negociação.

 

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