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Economia

Setor metalmecânico trava com pandemia


Por: REDAÇÃO Portal

Queda na produção e inadimplência afetam indústrias do setor, gerando efeito em cascata

Queda na produção e inadimplência afetam indústrias do setor, gerando efeito em cascata

Foto: Indústrias param produção e colocam funcionários em férias coletivas/Foto: CNI

17/04/2020
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Dependente de outras indústrias, como as da construção civil, naval e automotiva, as empresas do setor metalmecânico viram a demanda despencar. De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Material Elétrico do Estado de Pernambuco (Simmepe), Alexandre Valença, 60% das empresas do segmento estão paradas ou com a produtividade reduzida, num universo de 2 mil indústrias - sem contar as que concederam férias coletivas aos seus funcionários.

Na Mectronic Eletromar, por exemplo, o faturamento caiu 95%. O diretor presidente da Wadi Nicola Mansour, “O efeito é drástico e além de atingir o faturamento da minha empresa, com a inadimplência na casa dos 70%, o que antes não chegava a 1%. Isso quebra qualquer negócio”, alerta.

Proprietário de duas unidades fabris de instalações elétricas e de um galpão, ocupando uma área de 35 mil metros quadrados em São Lourenço da Mata, Mansour está com a produção parada desde o dia 25 de março e concedeu férias coletivas para 800 colaboradores.

O empresário lembra que o efeito se propaga por toda uma cadeia. “Hoje, no Brasil, temos mais de 100 mil pontos de vendas. Imagina a quantidade de postos de trabalho gerados indiretamente?”, questionou, explicando que é possível que a situação provocada pela Covid-19 tenha efeitos ainda mais drásticos se comparado à crise de 2014.

Wadi acredita que no pós-pandemia não retornará aos níveis de produção anteriores. A capacidade instalada total das fábricas, que já operavam em baixa (60%) devido à crise anterior, não deve chegar a 50% em virtude, sobretudo, da retração de 30% do mercado de material de construção.

A Mectronic Eletromar destina 97% da sua produção para o mercado interno, sendo dividida entre as regiões Nordeste, Sul e Sudeste; e 3% para o mercado externo, atendendo os países das américas Latina e Central e o Oriente Médio.

Solução

Assim como a empresa de Mansour, outros negócios pernambucanos estão passando por essa mesma situação e, por isso, o 1º vice-presidente da FIEPE, Alexandre Valença, acredita que as soluções para mitigação dos efeitos estão no retorno dos investimentos por parte dos governos, no financiamento dos bancos públicos e privados e no retorno das grandes obras públicas.

Alexandre Valença, que também é o 1º vice-presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (FIEPE), está preocupado com a sobrevivência dessas empresas, que atendem aos segmentos de lata, autopeças, eletrodomésticos e insumos destinados à construção civil, por exemplo.

“Ficou dificílimo fazer qualquer projeção de retomada. Dessa vez, percebemos uma crise com um agravante muito maior: pois se antes a dificuldade se concentrava no Complexo Portuário de Suape, agora, ela se tornou geral”, sentenciou. Ele se refere ao encerramento das atividades de algumas empresas fornecedoras do Complexo Portuário de Suape. “É um cenário deliciado, sobretudo porque ninguém teve experiência com pandemia e muito menos com o pós-pandemia”.

E desde que os efeitos da Covid-19 chegaram à economia local, o segmento tem sido um termômetro do quanto esse efeito cascata deixará mais distante a recuperação do setor. Os efeitos disso têm atingindo as indústrias de consumo do segmento, como as produtoras de aço, de minério de ferro, as serrarias até as fabricantes de panelas e de eletrodomésticos.

“Se já estava ruim com a situação dos estaleiros, agora, ficará bem pior, pois, no momento, muitas têm optado por paralisar a produção, conceder férias coletivas ou usar os recursos do banco de horas para atenuar as perdas atuais e ajudar na sobrevivência delas próprias”, analisou.

Além da crise atingir o mercado interno do setor metalmecânico, o externo também tem dado sinais de retração. Informações compiladas pela FIEPE, com base nos dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, dão conta que há uma queda nas exportações de embalagens de alumínio – inseridas nas indústrias metalúrgicas – de 35% de fevereiro para março, registrando recuo de 25% da média do ano passado. Para se ter ideia, 77% do mercado externo atendem Argentina, Paraguai e Chile – também afetados pelo coronavírus.

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