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Setor produtivo se diz frustrado com plano de retomada para Pernambuco


Por: PATRÍCIA RAPOSO

Nem mesmo construção civil, que volta dia 8, conseguiu ficar satisfeita com as propostas

Nem mesmo construção civil, que volta dia 8, conseguiu ficar satisfeita com as propostas

Foto: Com obras paradas desde março, construção civil retoma atividades, mas diz que vai demitir/Foto Arquivo ABR

02/06/2020
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O plano de retomada da economia pernambucana, anunciado na tarde desta segunda-feira (01), desagradou a quase todos setores produtivos. Nem mesmo a construção civil, que volta às atividades dia 8, se sentiu contemplada com as medidas, tornadas públicas em coletiva de imprensa pelos secretários de Saúde, André Longo, Planejamento e Gestão, Alexandre Rebelo, e Desenvolvimento Econômico, Bruno Schwambach.

Para o presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco, Ricardo Essinger, “as medidas conseguiram desagradar a todos os interessados”. Paulo Carneiro, presidente da Associação Pernambucana do Shoppings Centers, e líder do Movimento Pró-Pernambuco,  que reúne vários segmentos produtivos unidos em torno da retomada da economia, disse que “a perspectiva de agravamento do desemprego e ampliação da crise são terríveis”. Os presidentes do Sinduscon-PE, Érico Furtado Filho, e da Ademi-PE, Gildo Vilaça, disseram que a solução proposta pelo governo se mostrou inviável social e economicamente.  

“O que mais pedimos foi para não mexer no horário da construção civil”, lamentou Gildo Vilaça. Ele explica que no horário tradicional, o trabalhador começa às 7h e sai às 17h. “Agora, ele chega às 9h, perde o café da manhã, começa a trabalhar com sol quente e sai às 18h, no horário de pico”, diz. Previsto em convenção coletiva, o café da manhã deve ser servido obrigatoriamente até 7h pelas construtoras.

Outro ponto muito criticado diz respeito ao quantitativo liberado para a obra: 50% do efetivo. “Se eu preciso de 100 homens numa obra, como a farei com metade”, questiona o presidente da Ademi. Ele diz que, num primeiro momento, a reação de alguns empresários foi de que não valeria a pena retomar às obras. Mas as lideranças do setor se reúnem na manhã desta terça-feira para avaliar melhor as medidas.

Furtado e Vilaça entendem que as empreses de construção que estão inativas desde 23 de março não teriam como manter 50% de seu efetivo em casa, sendo certa a demissão de cerca de 25 mil funcionários até o final do ano. Até agora, só Pernambuco e Piauí seguem com restrições na construção civil. Uma pesquisa feita pela Associação  Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc),  nos dias 28 e 29 de maio, revelou que apenas pouco mais que 1% dos trabalhadores da construção em atividade foram infectados pela covid-19, dos quais, só 0,01% morreram.

Fiepe

“Se esse cronograma do governo do estado for seguido à risca, haverá cadeias produtivas desaparecendo em breve”, opina o presidente da Fiepe, Ricardo Essinger.  Na sua visão, toda a cadeia da construção civil seguirá prejudica, como os setores de gesso, cerâmica e movelaria, entre outros. “Se a obra só contar com metade dos trabalhadores, o ritmo cai à metade e a frequência de compras também”.

Ele entende que o plano do governo para a retomada é longo demais. “Tem segmento que levará 11 semanas neste processo. Isso são mais três meses. Veja que já estamos há dois meses e meio parados. Ao final, será meio ano sem atividades. Quem aguenta?”, indaga.

O presidente da Fiepe alerta que, embora muitas indústrias estejam operando, não há casos de contaminação no ambiente de trabalho. “O Brasil todo está produzindo e só tivemos dois casos isolados “, reflete.

Shopping

O presidente da Associação Pernambucana de Shopping Center, Paulo Carneiro, também se decepcionou com o plano de retomada. Apesar de ver um aspecto positivo no pronunciamento dos secretários, que foi a estabilização da curva de contágio da doença, ele achou que há um rigor excessivo nas medidas.

Carneiro diz não entender vários pontos do plano, como a liberação do drive thru nos shoppings a partir do dia 15, em vez de dia 8, o que ajudaria a ativar as vendas para o Dia dos Namorados (12), e o fato de o comércio de rua poder abrir antes dos shoppings. “Qual a justificativa? Será que as lojas de rua são mais seguras do que a dos shoppings?”, questiona.

Ele tem sido abordado sistematicamente por lojistas em dificuldades, já que 70% do universo dos centros de compras são de negócios pequeno porte. E tanto a associação dos shoppings quanto a dos lojistas estimam que muitos não vão reabrir.

E há outra grande preocupação no setor: a possibilidade de retornarem com um horário muito restrito de funcionamento. “Os custos são muito altos e operar num período muito curto, reduzindo a oportunidade de faturamento, não compensa”, explica Paulo Carneiro.

Pelo plano do governo, só no fim de junho as operações conseguiriam estar funcionando mais ou menos plenamente, porque ainda haverá algumas restrições. “São cerca de 100 dias sem faturamento. Estamos frustrados, mas vamos continuar dialogando”, assegura. Na tarde desta terça-feira, o Movimento-Pró-Pernambuco se reúne para avaliar os próximos passos.

 

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