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Só falta esperar os saques


Por: REDAÇÃO Portal

A falta de medidas concretas para quem não pode trabalhar é a grande necessidade do momento no setor empresarial e de serviços. Porque eles precisam continuar vendendo

A falta de medidas concretas para quem não pode trabalhar é a grande necessidade do momento no setor empresarial e de serviços. Porque eles precisam continuar vendendo
23/03/2020
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Por Patrícia Raposo*

O Governo Federal parece completamente confuso em suas medidas econômicas para combater o novo Coronavírus. Se por um lado promete suporte financeiro para as empresas – ontem anunciou pacote de R$ 55 bilhões através do BNDES-, por outro, deixa que elas suspendam os contratos de trabalho por quatro meses. Então o suporte seria para quê?

O governo precisa decidir se ajuda às empresas a manter os empregos, disponibilizando crédito para isso, ou ajuda às famílias a sobreviver, com uma renda digna, porque com a mísera ajuda de R$ 200,00, anunciada na semana passada, ninguém sobrevive. E a economia quebra!

Qualquer empresário sabe que para seu negócio continuar operando, o dinheiro precisa circular e isso requer gente empregada, com renda para gastar. Então, caberia, no máximo permitir redução de jornada associada à redução de salário.

Mas, não sendo essa a opção, o ministério da Fazenda deveria ao menos permitir a suspensão das contas de luz, água e telefone, dando suporte às concessionárias neste período. Porque, sem salário, ninguém consegue pagar nada. Alguém aí lembrou do aluguel?

O governo federal parece olhar para o seu povo através de uma tela ou do alto de uma torre, como se não fizesse parte dele. E se recusa a cortar na própria carne, o que implica em tomar medidas concretas e justas, como restringir despesas supérfluas nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário – e por que não reduzir salários aqui também, ao menos temporariamente?

O governo federal não cogita taxar as grandes fortunas, o que lhe daria um ótimo caixa para melhorar a saúde pública neste momento. Não, nisto não se fala.

Acho que ninguém ali pensa em como vão sobreviver os autônomos. Estamos falando de 24 milhões de pessoas, sem falar nos 28,5 milhões de subutilizados. Gente que vive de vender roupa pelas redes sociais, serviços de manicure, caldinho na praia, tapioca na esquina, fisioterapia ou sei lá o que...

Pequenas e microempresas vislumbram pela frente um  horizonte de incertezas, para não dizer o pior. São a maioria das empresas e têm mais dificuldades para se recuperar porque têm menos reservas e menos acesso ao crédito. Muitas estão atoladas em dívidas bancárias, por causa da crise econômica, e tentando se recuperar. Prestadoras de serviços não têm como estocar serviços. Lembram?

Patrícia Raposo

Não pensem que esse é um ponto de vista só do trabalhador. A falta de medidas concretas para quem não pode trabalhar é a grande necessidade do momento no setor empresarial e de serviços. Porque eles precisam continuar vendendo.

Senhores tecnocratas, as pessoas precisam continuar com dinheiro para pagar pelo pão, remédio, passagem, aluguel, água, luz, telefone, abastecendo seus veículos, comprando um livro pela internet ou um curso qualquer para se distrair na quarentena (aqueles que podem) e fazer a roda da fortuna girar. É isso que nos ajudará a manter o fôlego para enfrentar essa adversidade. Ou o governo entende isso ou estará nos conduzindo ao caos social. E não vai demorar para vermos os saques chegarem às lojas, assim como às nossas casas.

*Patrícia Raposo é jornalista, editora do Movimento Econômico e colunista da CBN Recife

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