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Economia

Varejo pernambucano recua em junho


Por: REDAÇÃO Portal

A queda nas vendas do Estado se contrapõe ao cenário nacional, que registrou alta de 0,1% no mês

A queda nas vendas do Estado se contrapõe ao cenário nacional, que registrou alta de 0,1% no mês

Foto: Marcelo Camargo, Agência Brasil

07/08/2019
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Patrícia Raposo, com Agência Brasil

O volume de vendas do comércio varejista brasileiro teve leve alta de 0,1% na passagem de maio para junho deste ano. Mas em Pernambuco houve recuo.

A variação positiva nacional de junho veio depois da estabilidade de maio e da queda de 0,4% em abril. Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada hoje (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já no varejo pernambucano, o volume das vendas do voltou a recuar em junho. A taxa mostrou variação negativa de -0,3% em relação ao mês anterior, e é a menor taxa para o indicador desde janeiro deste ano, quando o volume caiu -3,0%.

O economista Rafael Ramos, da Fecomércio, lembra que o mês de junho para o comercio no estado “é tradicionalmente de elevado desempenho das vendas”, visto que existem comemorações que movimentam o setor de maneira forte, como o dia dos Namorados e os Festejos Juninos. “Porém, o resultado negativo reflete um fraco consumo das famílias em relação a maio e sinaliza que a demanda está voltando a apresentar um comportamento mais conservador, segurando assim o nível de compras realizadas”, explica Ramos.

No indicador mensal, o mês atual em relação ao mesmo mês do ano anterior, o Varejo pernambucano também apresentou queda com uma variação negativa de -0,7%. “O número é preocupante pois aponta que apesar da conjuntura difícil de greve e pré-eleições verificado em junho de 2018, as famílias ainda apresentam no mesmo mês de 2019 um nível de consumo inferior sem o cenário apresentar acontecimentos com poder de choques negativos de demanda e oferta”, analisa Ramos.

Um dos fatores para est cenário continua sendo o deteriorado mercado de trabalho. Pernambuco perdeu mais de 20 mil vagas formais nos seis primeiros meses do ano, deixando muitas famílias em dificuldade orçamentária. “Além disso, a taxa de endividamento continua apresentando valor alto quando comparado com os anos anteriores, atingindo mais de 350 mil famílias e, puxando o consumo para baixo. Nem mesmo uma inflação controlada e uma política de redução dos juros não estão conseguindo incentivar o consumo”, diz. Isso indica que a confiança das famílias no estado se ancoram mais na questão do nível de empregabilidade.

Pesquisas já apontavam para um desempenho modesto ou próximo de zero para as vendas de junho, mas, o inverno mais rigoroso contribuiu de maneira significativa para que a população evitasse o consumo ou comemorações. “As chuvas foram intensas, alagaram bairros, causaram deslizamentos além de criar outros transtornos como problemas de mobilidade urbana e prejuízos financeiros em residências e estabelecimentos”, lembra o Rafael Ramos.

No acumulado do ano, de janeiro a junho, a queda é de -1,0%, que apesar de negativo vem apresentando modesta melhor nos últimos meses, visto que o acumulado em março era de -2,6%. Já em 12 meses, as vendas acumulam recuo de -0,7%, também com um movimento modesto de melhora ante os períodos anteriores.

O Varejo Ampliado pernambucano - setor que agrega todos os índices do Varejo mais as atividades de "veículos, motocicletas, partes e peças" e "material de construção" – e que vinha, de maneira geral, apresentando bons resultados, também não conseguiu resistir ao fraco movimento do consumo da população em junho.

A queda no indicador mês foi ainda maior que o varejo restrito e alcançou os -1,1%, sendo este o menor valor desde dezembro de 2018 para este tipo de comparativo. No comparativo mensal também houve um recuo de -1,3%, após dois meses de alta, lembrando que a base de comparação é deteriorada pois é o mês seguinte a greve dos caminheiros. O resultado foi proporcionado por um desempenho praticamente nulo do setor de veículos e uma queda acentuada na venda dos itens da construção. No Varejo Ampliado as vendas acumulam no ano e em 12 meses 0,8% e 1,2%, respectivamente.

BRASIL

No acumulado do ano, o crescimento do setor no Brasil é de 0,6%. Já no acumulado de 12 meses, a alta é de 1,1%. Por outro lado, o varejo teve quedas de 0,1% na média móvel trimestral e de 0,3% na comparação com junho do ano passado.

Na passagem de maio para junho, três dos oito setores pesquisados tiveram alta: tecidos, vestuário e calçados (1,5%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,3%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,1%).

A atividade de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo manteve-se estável. Quatro segmentos tiveram queda: combustíveis e lubrificantes(-1,4%), móveis e eletrodomésticos (-1%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-2,4%) e livros, jornais, revistas e papelaria (-0,8%).

O varejo ampliado, que também analisa os segmentos de materiais de construção e de veículos e peças, manteve-se estável no volume de vendas na passagem de maio para junho. Os veículos, motos, partes e peças cresceram 3,6%, enquanto os materiais de construção recuaram 1,2%.

Nos demais tipos de comparação temporal, no entanto, o varejo ampliado teve crescimento: média móvel trimestral (0,2%), comparação com junho de 2018 (1,7%), acumulado do ano (3,2%) e acumulado de 12 meses (3,7%).

Receita nominal

A receita nominal do comércio varejista caiu 0,3% na comparação com maio, mas cresceu 0,1% na média móvel trimestral, 2,3% em relação a junho de 2018, 4,6% no acumulado do ano e 5,1% no acumulado de 12 meses.

Já a receita nominal do varejo ampliado cresceu em todas as comparações: com maio (0,2%), com junho do ano passado (3,8%), na média móvel trimestral (0,6%), no acumulado do ano (6,3%) e no acumulado de 12 meses (6,8%).

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