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WhatsApp impulsiona vendas de grandes redes


Por: PATRÍCIA RAPOSO

Em alguns casos, o aplicativo supera os negócios feito pelo site. Ferreira Costa, Mundo do Cabeleireiro e Karne Keijo são exemplos de uso com eficiência

Em alguns casos, o aplicativo supera os negócios feito pelo site. Ferreira Costa, Mundo do Cabeleireiro e Karne Keijo são exemplos de uso com eficiência

Foto: App permite ampla interação e ganha cada vez mais a preferência do consumidor/Foto: Pixabay

22/05/2020
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O WhatsApp vira estratégia de negócios em meio a pandemia. Grandes redes como Ferreira Costa, Mundo do Cabelereiro e Karne Keijo descobrem que o aplicativo pode ser usado para atender diferentes tipos de necessidades e cada uma o adapta à sua realidade.

A rede Mundo do Cabeleireiro, que detém 52 lojas, sendo 20 em Pernambuco e 32 em São Paulo, está operando com apenas duas unidades. São as únicas lojas de rua e ambas ficam na capital paulista, onde o negócio foi considerado essencial pelo decreto estadual. Nas demais, o comercio eletrônico tem sido a saída para manter as vendas.

Celso Morais/Foto: Divulgação

O CEO Celso Morais diz que o movimento online cresceu cinco vezes. “Mas era insipiente. No entanto, o WhatsApp foi o que mais me surpreendeu”, afirma. Embora o volume comercializado ainda não dê para cobrir os custos, a plataforma está superando o e-commerce.

“Começamos há 30 dias e estamos vendendo horrores, três vezes mais que o e-commerce”, atesta o empresário. “O WhatsApp é um grande canal de vendas porque não é frio como o e-commerce, já que permite interatividade”, explica.

De acordo com Morais, a troca de mensagem efetiva com o cliente é determinante para o sucesso do WhatsApp, porque esse é seu diferencial.  Na loja, as atendentes usam todos os recursos das plataformas: tiram fotos de produtos, filmam se for necessário, e trocam mensagens de voz com clientes que não gostam de escrever. “E fazem isso de forma espontânea, porque já é hábito de todos. O WhatsApp é um digital com calor humano”, brinca o empresário, acrescentando que a regra é não deixar o cliente sem resposta.

Para Celso, outro grande diferencial da plataforma é o prazo de entrega. “Chega em algumas horas porque operamos num raio de até sete quilômetros das lojas, enquanto no e-commerce gastamos até oito dias com todo o processo de enviar pelos Correios”.

Ferreira Costa

Na tradicional rede de material de construção Ferreira Costa, com 135 anos de atividades, a estratégia digital vinha sendo perseguida há pouco mais de um ano e, com a pandemia, tudo precisou ser repensado rapidamente.

“O vírus tirou nossa capacidade de fazer planos. A gente está vivendo cenários de incerteza, e tendo que atuar em diversas praças com estratégias diferentes. Precisamos de velocidade e criatividade e muitos planos que tínhamos para o futuro, antecipamos para agora”, diz a gerente de e-commerce, Flávia Chiba.

Flávia Chiba/Foto: divulgação

Neste sentido, as estratégias que ampliam a experiência do consumidor estão sendo desengavetadas, num cenário onde o digital ganha protagonismo. O resultado já pode ser sentido. “Cerca de 30% dos visitantes de nosso site nesta quarentena são novos usuários. Acreditamos que esse número vai continuar crescendo”, explica.

Apostando fortemente na transformação digital, a Ferreira Costa também vê no WhatsApp um aliado de primeira mão. “Ele tem como característica o imediatismo. Quem recorre a esse app quer resposta rápida e em geral temos usado para tirar dúvidas e resolver problemas de clientes”, explica Flávia, alertando que é importante que seja eficiente, que tenha sempre alguém atento para responder às demandas.

Karne Keijo

No Grupo Karne Keijo, o presidente Inácio Miranda Júnior diz estar assistindo uma movimentação estranha. “As pessoas agem como rebanho. Vêm todas de uma vez e depois desaparecem”, diz. Na primeira semana da quarentena, houve uma invasão de clientes. Da segunda em diante, eles sumiram. O processo se repetiu antes do lockdown.

Vendo sua margem retrair 40% desde abril, as vendas caírem 30%, a distribuição, 50%, ele concentrou esforços no online. A surpresa também foi o WhatsApp, que tem tido grande demanda, contribuindo para o delivery crescer 10%.

Miranda diz ter redirecionado a plataforma para atender às donas de casa, que passaram a ser as grandes consumidoras após a retração do setor de comércio. Ele também aposta no novo site, que entrou no ar nesta semana e no aplicativo da loja, que trabalha com lista de compras. “A parte mais complexa é separar o pedido na loja”, revela.

Inácio Miranda JR/Foto: divulgação

“Saber usar as plataformas digitais para interagir com o cliente fará toda diferença no pós-pandemia”, alerta Carlos Fan, diretor de produtos da Accenture.  A multinacional acaba de publicar pesquisa feita nos cinco continentes que aponta mudanças substanciais nos hábitos de consumo. Fan diz que a pesquisa revela que os hábitos digitais adquiridos nesta quarentena tendem  perdurar. “Uma em cada 4 pessoas fizeram feira por delivery pela primeira vez e ficaram satisfeitas. Isso tende a continuar”, assegura.

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