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Cultura

Elza Soares detona em ' Planeta Fome'

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Por: Sandra Bittencourt

Aos 82 anos, cantora reafirma sua contemporaneidade

Aos 82 anos,  cantora reafirma sua contemporaneidade
16/09/2019
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Elza Soares acaba de lançar 'Planeta Fome' ( Deck ), 34º álbum , projeto conceituado como uma religação do início de sua carreira aos dias de hoje. E aí rola uma história emblemática da vida da Elza. Ela ainda era aspirante a cantora, lá em 1953, quando foi ao programa "Calouros em Desfile", na Rádio Tupi, apresentado por Ary Barroso. Ao vê-la vestida com trajes pobres, Ary perguntou : "De que planeta você veio, minha filha?" Ao que ela respondeu na lata : "Do mesmo planeta que o senhor, do planeta fome".  Hoje Elza continua com fome, só que de cultura, de educação, de igualdade, de respeito, fome de um padrão humano e digno. 'Planeta Fome', o álbum, trata disso.  São 12 faixas, entre inéditas e regravações, uma composição própria, e várias participações - BaianaSystem, Orkestra Rumpilezz, Virgínia Rodrigues, BNegão, Pedro Loureiro e Rafael Mike. Produção assinada por Rafael Ramos e Elza Soares. Bom que se diga, a vibe do disco vem na cola de ótimos anteriores como  ‘A mulher do fim do mundo’ (2015),  ‘Deus é mulher’ (2018), e lá atrás, um pouco de Do coxis até o pescoço’( 2002 ). Trocando em miúdos, ‘ Planeta Fome’ é um soco no estômago, uma crônica atual como se observa logo na abertura com ‘Libertação ‘(Russo Passapusso), pancadão sustentado pelo BaianaSystem com músicos da Orkestra Rumpilezz e a voz de Virgínia Rodrigues. Elza canta no refrão - “Eu não vou sucumbir, avisa na hora que tremer o chão.’ Seguimos para ‘Menino’, de 46 segundos, composição assinada por Elza, cantada à capella, letra sobre a cruel realidade dos garotos sem esperança no futuro. Elza canta o carimbó Brasis’ ( de Gabriel Moura, Jovi Joviniano e Seu Jorge), em que discute a radical desigualdade social, enquanto ‘Blá Blá Blá’ é um rap ao lado de BNegão e o autor Pedro Loureiro, quando o clima esquenta graças a uma letra sobre negociatas feitas no país. Em 2002, Elza cantou que 'a carne mais barata do mercado é a carne negra'. Agora ela diz, ‘A carne mais barata do mercado não tá mais de graça. O que não valia nada, agora vale uma tonelada’, versos do rap ‘ Não tá mais de graça’ de Rafael Mike . Há um arranjo bem interessante para ‘Comportamento Geral ‘(Gonzaguinha), aqui com uma pegada reggae , e outra do mesmo compositor é ‘Pequena memória para um tempo sem memória’ , com direito a um belo trompete de Jessé Sadoc . Elza também fala sobre diversidade sexual no tema  ‘Não recomendado’ (Caio Prado), e no contraste disso tudo  ouvimos ‘País do sonho’ , originalmente um samba de Chapinha da Vela e Carlinhos Palhano, agora em arranjo heavy pop . Então, fica a dica aí, disco ‘ Planeta Fome’ , de Elza Soares, um disco de sonoridade forte e letras fortes . A voz de uma grande artista, aos 82 anos de idade, uma mulher invencível, incansável e singular, como se pode deduzir em uma de suas célebres frases - “Não tenho idade, tenho tempo.’’ É Elza Soares.

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