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Cultura

Vida eterna ao maestro Rafael Garcia - exemplo de talento, empenho e generosidade

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Por: Sandra Bittencourt

O maestro chileno radicado no Recife foi incansável em sua missão de levar a música de concerto aonde o povo está.

O maestro chileno radicado no Recife foi incansável em sua missão de levar a música de concerto aonde o povo está.
14/10/2021
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E o maestro Rafael Fernando Garcia Saavedra nos deixou. Chileno de nascimento mas pernambucano de coração, o violinista, professor, diretor artístico, regente, criador e coordenador de projetos culturais, Rafael Garcia, foi incansável em sua missão de levar a música de concerto aonde o povo está. Ao lado da pianista Ana Lucia Altino, sua fiel escudeira e parceira de toda uma vida – afinal, foram casados por 54 anos e tiveram seis filhos mais 12 netos – o maestro Garcia dedicou toda uma vida à música.

Aliás, esse grande encontro de arte e vida aconteceu como bem ordenou o destino, quando em 1966, num navio rumo a Europa, Rafael conheceu Ana Lúcia. Daí, foram recusados vários convites para tocar no exterior em troca da decisão de se radicar no Brasil ao lado da esposa no final dos anos 70, e juntos criarem o Departamento de Música da UFPB.

Garcia foi Spalla da OSESP, do Ballet Bolshoi, das Orquestras Sinfônicas da Paraíba e de Pernambuco, atuando com grandes regentes como, por exemplo, Eleazar de Carvalho, Isaac Karabitchevsky, Antal Dorati, Simon Blech e John Neshling. Trabalhou ao lado de Ariano Suassuna e Cussy de Almeida, na formação da Orquestra Armorial e também como músico de estúdio para a gravadora Fermata, se tornando Spalla de grandes nomes da música popular da época, como, por exemplo, Roberto Carlos e também no projeto Elis Regina com Tom Jobim.

Em 1986 o casal se mudou para Boston com os seis filhos, quando o segundo deles, Leonardo, ganhou uma bolsa para estudar violoncelo nos Estados Unidos. De volta a Recife, em 1995, Rafael e Ana Lúcia criaram a Orquestra Filarmônica Norte/Nordeste que reunia músicos de Salvador a Belém de uma forma voluntária para mostrar a importância da música clássica no Brasil.

Em 1998, criaram o VIRTUOSI, o maior e mais perene festival de música de câmara de Pernambuco, com 23 edições realizadas no Recife, Gravatá, Garanhuns e outras cidades do Brasil. Ao todo, de mais de 200 concertos, além de turnês internacionais passando por aclamadas salas do Chile, Argentina e Uruguai. Evento que não só encantou plateias, mas formou plateias ao longo dos anos. Rafael Garcia sempre relatava , com certo orgulho, que pessoas que nem sequer conheciam aquele tipo de música passaram a estudar algum instrumento a partir das masterclasses gratuitas oferecidas pelo evento. Isso sem contar com o maior desafio para realizar os festivais que sempre foi a captação de recursos.

Teatros, igrejas e palcos abertos logo ficariam lotados sob o encantamento daquela música que , além dos vários convidados de cada edição, ainda levavam a batuta do maestro e sua Orquestra Jovem de Pernambuco , empenho, inclusive, que o levou a receber o título de Cidadão Pernambucano pela Assembléia Legislativa.

Um exemplo de talento, empenho e generosidade. Fez muito pela cultura do Estado. Deixou não só um legado de amor à música mas de amor e música.

Vá em paz, maestro. Sua missão foi cumprida e seu nome acaba de entrar para a história cultural de Pernambuco.

Vida eterna ao maestro Rafael Garcia !

Para conferir o áudio do comentário acesse OUVIR.

 

 

 

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