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Morre, aos 78 anos, o escritor e jornalista pernambucano Raimundo Carrero

O velório ocorrerá na sede da APL, no entanto, o horário ainda não foi divulgado

Por: Redação CBN

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Morreu, aos 78 anos, o escritor e jornalista pernambucano Raimundo Carrero, vencedor do Prêmio Jabuti, em 2000, pelo livro “As sóbrias ruínas da alma”, e um dos autores da lenda da “perna cabeluda” – difundida mundialmente pelo filme “O Agente Secreto” (2025). Raimundo lutava contra um câncer, segundo a família, e faleceu na madrugada desta terça-feira (16). O velório ocorrerá na sede da Academia Pernambucana de Letras (APL), no bairro das Graças, na Zona Norte do Recife, a partir das 12h, enquanto que o enterro será às 16h, no Cemitério de Santo Amaro.

Raimundo Carrero estava internado em uma unidade de saúde privada na Ilha do Leite, na região central do Recife. O câncer, próximo ao pulmão, era tratado em estágio avançado, e o escritor procurou o hospital na última semana após sentir dores fortes. Depois de um acidente vascular cerebral (AVC), há 16 anos, Raimundo Carrero também passou a apresentar várias comorbidades. 

Em comunicado publicado nas redes sociais, a família do escritor lembrou que ele dedicou a vida à literatura com paixão, sensibilidade e compromisso, “construindo uma obra que marcou gerações de leitores e contribuiu de forma significativa para a cultura pernambucana e brasileira”. Nascido em 20 de dezembro de 1947, em Salgueiro, no Sertão, Raimundo Carrero trabalhou como jornalista no Recife, além de ter sido professor de criação literária. 

Entre as suas obras estão mais de 20 livros, como “Somos pedras que se consomem” (Grande Prêmio da Crítica – APCA de 1996 e Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional de 1996); “As sóbrias ruínas da alma” (Prêmio Jabuti, 2000); “O amor não tem bons sentimentos” (2007); e o úlitmo, em 2022, “A luta verbal: a preparação do escritor”.

No jornalismo, ele iniciou a carreira no Diário de Pernambuco, em 1969, onde chegou a assumir o cargo de editor-chefe. Atualmente, ele mantinha uma coluna no jornal em circulação mais antigo da América Latina. 

Academia Pernambucana de Letras

Membro da Academia Pernambucana de Letras (APL) desde 2004, Carrero foi um dos principais autores do Movimento Armorial, nos anos 1970, liderado por Ariano Suassuna. Em nota publicada nas redes sociais, a APL lembrou que Raimundo Carrero faleceu no dia em que “seu mestre e amigo, Ariano Suassuna, completaria 99 anos, caso estivesse vivo”. Além do Prêmio Jabuti, o escritor também recebeu o Prêmio Machado de Assis e o Prêmio São Paulo de Literatura.

“A Academia Pernambucana de Letras se solidariza com familiares, amigos, leitores e admiradores neste momento de dor e despedida”, finaliza o texto.

Luto

Em nota, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), disse ter recebido com tristeza a notícia do falecimento do escritor e jornalista Raimundo Carrero. “Membro da Academia Pernambucana de Letras, com obras premiadas e reconhecidas no Brasil e no exterior, Carrero teve sua vida dedicada à defesa do jornalismo e da literatura. Em sua memória e em reconhecimento a sua trajetória, Pernambuco terá luto oficial de três dias”, decretou. Raquel Lyra (PSD) ainda se solidarizou com a família, amigos e leitores do pernambucano.

A Secretaria de Cultura e a Fundação de Cultura Cidade do Recife também lamentaram a morte do escritor e jornalista Raimundo Carrero, recordando que ele ocupava a cadeira de nº três da APL.

“O premiado e profícuo autor, que dedicou a vida à palavra e à cultura popular, fazendo todos os caminhos para encontrar e semear a escrita e a leitura, do jornalismo impresso à assessoria de imprensa, da academia à gestão pública, escreveu tanto quanto ensinou a escrever, em oficinas de literatura que formaram importantes autores, cultivando o sensível e o fantástico da aventura de contar e fazer história”, destaca o texto.

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Acervo CBN

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