O cheiro da pamonha quentinha recém-saída da palha, o sabor inconfundível da canjica, do bolo de macaxeira e do munguzá fumegante, somado a isso, o colorido das bandeirinhas e o som da sanfona anunciam que a época mais deliciosa e aguardada por milhões de brasileiros chegou. Mas, por trás do ritmo contagiante do forró e das mesas fartas, existe uma engrenagem poderosa batendo forte: tudo isso, porque o São João se consolidou como um dos maiores negócios do país.
Segundo estimativas do Ministério do Turismo e do setor do comércio, as festas juninas movimentam, em média, mais de 6 bilhões de reais na economia nacional. É um volume financeiro que chega a gerar cerca de 100 mil empregos temporários em todo o Brasil.
Para quem vive do comércio, junho não é apenas o mês de pular fogueira; é o mês de equilibrar as contas. Nas ruas, o impacto é visível. É o caso de Suely Lima, moradora de Maranguape ll, na cidade do Paulista, no Grande Recife, que prepara bolos de milho, bolos de macaxeira, a pamonha de forno puro milho, que é o carro chefe das vendas, além de tantas outras iguarias juninas. Para ela, o período junino é sinônimo de trabalho duro, mas também de bolso cheio.
“Em termos de lucro, o período de São João é um dos mais importantes do ano para nós. É uma época em que a procura pelas comidas típicas cresce muito, o que contribui significativamente para a nossa renda. Além do retorno financeiro, é um momento de valorização da cultura nordestina e de fortalecimento do nosso trabalho. Sobre o produto que mais vende é difícil citar um, porém a canjica é o produto que mais sai nessa época, mas a nossa pamonha de forno é o grande carro-chefe da casa, uma receita que todos os clientes já conhecem e procuram todos os anos e é muito elogiada por todos.”
Histórias como a de Suely se multiplicam, especialmente aqui no Nordeste, onde o impacto da festa é gigantesco. A cadeia produtiva do São João não movimenta apenas a barraquinha de lanches, ela impulsiona o agronegócio com a colheita do milho, aquece a indústria do vestuário e fortalece a rede hoteleira, esgotando passagens de ônibus e aviões.
Para o economista Victor Borba, a festa funciona como um verdadeiro motor de distribuição de renda.
“São muitos setores da economia que apresentam resultados muito superiores à média do ano ao longo das festas juninas. A rede hoteleira, por exemplo, a rede de transportes de passageiros, a área de salão de beleza, tratamento pessoal, tem um ganho significativo, uma vez que são muitas as festas, muitos eventos. Então, a economia local apresenta um resultado muito superior em relação à média do ano. Além da indústria de vestuário, por exemplo, são muitas as roupas tradicionais, peculiares, específicas nesse período.”
Ou seja, quando a quadrilha entra na roda, quem também dança, e de alegria, é a economia. Da colheita do milho na roça aos grandes shows, o São João prova que tradição e negócios formam um dos casamentos mais bem-sucedidos do nosso calendário cultural e também financeiro.









