A cidade conhecida como “Veneza Brasileira”, cortada por rios e canais, enfrenta problemas graves e históricos quando o assunto é o cuidado com os recursos hídricos. O Rio Capibaribe, cartão postal da capital pernambucana, está entre os mais poluídos do Brasil por sofrer com os efeitos da urbanização desordenada – como o despejo irregular de resíduos sólidos, em especial, do plástico.
Um problema que, para ser solucionado, precisa de planejamento a longo prazo e efetividade, do ponto de vista de gestão. Ao menos, esses são os pontos que norteiam o acordo firmado entre a Prefeitura do Recife e as fundações Ellen MacArthur e Clean Rivers, nesta quarta-feira (1º), no COMVIDA Vila do Papel, no bairro de São José, abaixo do Viaduto Capitão Temudo.
A iniciativa, pioneira no mundo, propõe um combate à poluição dos rios a partir de um tripé: economia circular, indo da fabricação de embalagens até a reciclagem; redução do descarte irregular de resíduos em rios, canais e sistemas de drenagem; e fortalecimento das cooperativas, associações e catadores autônomos, com iniciativas de capacitação e melhoria de infraestrutura, para ampliar a reciclagem e gerar renda.
A diretora executiva da fundação britânica Ellen MacArthur, Luísa Santiago, conta sobre a escolha da capital pernambucana para dar início ao projeto – parte prática do relatório “Fechando o Ciclo: Transformando os sistemas de resíduos urbanos e protegendo os rios do Brasil”, elaborado com a emiradense Clean Rivers.
“A cidade do Recife foi escolhida por uma confluência de fatores. O Brasil tem uma grande parte da quantidade de água do mundo e a poluição por esses resíduos trás um impacto enorme para o nosso país. Mas Recife fez um dever de casa estruturante, com investimentos robustos para aumentar a coleta e a taxa de reciclagem, mobilizar o ecossistema de cooperativas de catadoras e catadores. Recife tem muita água, tem um olhar sobre a saúde da água, a saúde dos rios, a saúde dos manguezais, que para nós é muito importante, porque a gente quer ver, de forma tangível, a redução da poluição plástica acontecendo”, afirmou.

Firmado o compromisso com as fundações, com a anuência do governo federal, um plano de trabalho será produzido ao longo dos próximos seis meses. Mas de acordo com o prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), todo o trabalho deve trazer impactos significativos para a cidade em até sete anos, com recursos que podem chegar a R$ 300 milhões. O investimento depende do empenho das equipes para despoluir os rios.
“Os recursos vêm através das fundações, que vão fazer a gestão e a operacionalização do processo. Mas tudo isso depende de um trabalho bem feito da prefeitura. Nesse momento, celebramos o acordo e vamos iniciar a construção de um plano de trabalho para entender qual é a execução mais efetiva possível. O recurso vem de fora para que o Recife possa executar, e na prática, aqui pode virar uma referência para outras cidades. As equipes estarão no Recife presencialmente para que a gente possa iniciar a ativação dessas melhorias”, detalhou.
O momento também foi marcado pela inauguração da Ecoestação Vila do Papel, 17ª unidade implantada pela Prefeitura do Recife para receber resíduos da construção civil, recicláveis, móveis velhos, restos de poda, materiais volumosos e resíduos de logística reversa obrigatória.

O objetivo do espaço é oferecer à população uma alternativa adequada e contribuir para a redução dos pontos de descarte irregular.
Reportagem – Lucas Arruda






