Os impactos do El Niño em Pernambuco foram tema de uma audiência pública na Assembleia Legislativa (Alepe), nesta segunda-feira (15). Cientistas das principais agências climáticas globais apontam que o fenômeno terá forte incidência e já está ativo, aquecendo as águas do Oceano Pacífico na região equatorial central. (Confira aqui a audiência pública completa)
Na Alepe, no auditório Sérgio Guerra, por meio da Comissão de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Proteção Animal, estiveram reunidos representantes de órgãos públicos, além de movimentos sociais e especialistas em meio ambiente e adaptação climática. A audiência foi presidida pelo deputado estadual João Paulo (PT).
Representando a Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha, o gerente-geral de Clima, Jacques Ribemboim, lembrou que uma equipe multidisciplinar, formada por membros das universidades Federal (UFPE), Federal Rural (UFRPE) e de Pernambuco (UPE), desenvolve o Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (PEARC) – pensado para médio e longo prazo.
“De alguma forma, estamos trabalhando com algo que é incerto. Mas temos que agir preventivamente, é claro. Prevenir a sociedade, principalmente os grupos mais vulneráveis. Esse plano que está sendo confeccionado faz as previsões, inclusive, para os próximos anos. O que vai acontecer, digamos, prospectivamente até o ano 2035 e até o ano 2050. Imaginem, claro, o grau de incerteza que tem nisso. Mas nós precisamos ter alguma baliza”, declarou.

A comunidade científica aponta que, em Pernambuco, o El Niño tende a provocar redução das chuvas no Agreste e no Sertão, regiões que historicamente sofrem com períodos de estiagem e enfrentam desafios relacionados à segurança hídrica. Representando o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Sintraf), o coordenador Mário Edson destacou quais podem ser as principais medidas de urgência para conter os danos diante do fenômeno.
“O semiárido tem sofrido muito com a estiagem. Sabemos que esse fenômeno é difícil, mas a gente precisa ter união para poder conviver com essa situação. A questão dos poços artesianos, por exemplo. Eu também falo sobre o manejo adequado do solo, porque se ele não acontecer, vamos sofrer. Além das culturas que se adaptam a essa região, a essa seca – sem contar a questão da assistência técnica”, pontuou.
Do ponto de vista dos reservatórios, entre os 99 que são monitorados pela Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), 18 estão em situação de colapso, com menos de 10% da capacidade. Eles estão concentrados entre o Agreste Setentrional e o Sertão de Pernambuco. No estado, cerca de 60% dos reservatórios são utilizados para abastecimento humano; enquanto que 1 em cada 10 é destinado para o combate à seca.





