O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) denunciou à Justiça oito policiais militares pelas mortes de Maria José Pereira da Silva e Maria Nathalia Campelo do Nascimento, mãe e esposa do vigilante Alex da Silva Barbosa, respectivamente. As duas vítimas foram assassinadas durante a sequência de crimes que ficou conhecida como Chacina de Camaragibe, no Grande Recife, em setembro de 2023. Caso a denúncia seja aceita, os agentes passarão a responder como réus pelo duplo homicídio qualificado.
Segundo o MPPE, os tenentes-coronéis Fábio Roberto Rufino da Silva, então comandante do 20º Batalhão da Polícia Militar, e Marcos Túlio Gonçalves Martins Pacheco, que ocupava o segundo posto de comando da Diretoria de Inteligência da PMPE, coordenaram a perseguição contra Alex da Silva Barbosa e os familiares dele. Os outros seis policiais denunciados são apontados como executores diretos dos assassinatos. São eles: Romoaldo de Oliveira Guerra; Moisés Delfino de Souza; Thiago Dizeu de Souza; Geraldo Nascimento de Souza; Rodrigo Augusto Venâncio e Thiago Firmino Tavares.
De acordo com a denúncia, após a morte de dois policiais militares em confronto armado com Alex, dezenas de agentes iniciaram uma operação de represália para localizar o vigilante e parentes dele. O MPPE afirma que Maria Nathalia foi retirada de casa à força, enquanto Maria José teve a residência arrombada e também foi levada por policiais. As duas foram levadas até um canavial, às margens da PE-027, em Paudalho, onde foram executadas a tiros na madrugada de 15 de setembro de 2023.
A denúncia atribui aos oito policiais o crime de duplo homicídio qualificado por motivo torpe, em razão da suposta vingança pelas mortes dos dois militares, e por recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. O MPPE também pediu a prisão preventiva dos acusados. Caso a Justiça não acolha o pedido, o órgão solicita que eles sejam afastados das funções na corporação durante o andamento do processo. Além disso, requer que os policiais sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri e, em caso de condenação, paguem indenização mínima de R$ 1 milhão às famílias das vítimas, além de pensão mensal.
Os oito militares já respondem a outra ação penal relacionada à chacina, desta vez pelas mortes de três irmãos de Alex da Silva Barbosa. Eles negam participação nos crimes e respondem ao processo em liberdade.
Relembre o caso
A chacina teve início na noite de 14 de setembro de 2023, quando o vigilante Alex da Silva Barbosa matou o soldado Eduardo Roque Barbosa de Santana e o cabo Rodolfo José da Silva durante uma troca de tiros no bairro de Tabatinga, em Camaragibe. Na ação, a moradora Ana Letícia Carias, que estava grávida, foi atingida por uma bala perdida e morreu dias depois. O bebê sobreviveu.
Após o confronto, familiares de Alex passaram a ser alvo de uma perseguição. Três irmãos do vigilante foram executados ainda na mesma noite e, horas depois, a mãe e a esposa dele foram encontradas mortas em Paudalho. Alex morreu na manhã seguinte durante uma troca de tiros com policiais militares. A investigação concluiu que, nesse caso, houve legítima defesa por parte dos agentes, e o procedimento foi arquivado.






