Diante do desenvolvimento do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico, durante o segundo semestre, com intensidade moderada a forte e possibilidade de evolução para muito forte, a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) atualizou as previsões climáticas para os próximos meses. Para Pernambuco, o trimestre entre julho e setembro deve ter chuvas abaixo da média na parte leste do estado e temperaturas acima da média em todo o território.
A Apac destaca que, entre fevereiro e maio, foi observada uma redução gradual das condições de seca em Pernambuco, por conta das precipitações dentro da normalidade, em diferentes regiões, durante o período chuvoso. Porém, a previsão para os próximos meses exige o acompanhamento permanente para ações de prevenção e adaptação.
A meteorologista Edvânia Pereira, explica que a intensidade do El Niño deve ditar o quão mais seco o período pode ser.
“Nem todo El Niño vai provocar seca e a gente depende também das condições do Atlântico. Se o Atlântico estiver mais aquecido, como ocorreu em 2023 e 2024, isso pode ajudar no controle das chuvas aqui no Nordeste, especialmente em Pernambuco. E a gente pode ter chuvas dentro da regularidade, como aconteceu em 2023 e 2024. No entanto, se o Atlântico tiver mais frio, como estava também em 2015 e 2016, a tendência é intensificar ainda mais e haver uma diminuição significativa dessas chuvas aqui no Nordeste”, declarou.
O que é o El Niño e como ele pode afetar Pernambuco?
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, provocando alterações nos padrões de precipitação e temperatura em diversas regiões do planeta. Historicamente, o fenômeno provoca redução das chuvas em parte das regiões Norte e Nordeste.
O professor de Geografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Osvaldo Girão, detalha como o fenômeno pode se desenvolver ao longo dos próximos meses.
“A tendência é de que ele seja forte já a partir de agosto, até mais ou menos outubro. Aqui em Pernambuco, esse período é de final de inverno e primavera. Então, como já é um período seco, a tendência é de que seja um pouco mais. A partir de novembro e até fevereiro do próximo ano, podemos ter um fortalecimento do El Niño. Esse período é de chuva para o nosso semiárido, então, não somente a região metropolitana pode sofrer”, declarou.
Com a diminuição das precipitações, o estado de Pernambuco pode enfrentar problemas que vão desde a redução do nível dos reservatórios até o comprometimento da produção agrícola. O secretário de Recursos Hídricos e Saneamento, Almir Cirilo, aponta que o estado tem realizado ações de mitigação.
“Compreendem a transferência de água entre bacias hidrográficas das regiões mais úmidas para as mais secas; o transporte de água captada no rio São Francisco para abastecer cidades e áreas rurais da porção semiárida pernambucana; a dessalinização das águas; e a redução de perdas nos sistemas de abastecimento”, pontuou. A Apac continua acompanhando a evolução do cenário e compartilhando as informações com a Defesa Civil e demais instituições responsáveis pelo gerenciamento de riscos.






