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Até aqui, vimos o impacto devastador do câncer de boca. Mas o que acontece entre o momento em que o paciente nota o primeiro sinal e o dia em que ele finalmente senta na cadeira do hospital para iniciar o tratamento correto? Em Pernambuco, pesquisadoras decidiram mapear esse caminho para compreender essa corrida pela vida.
Uma pesquisa desenvolvida no programa de Pós-graduação da Faculdade de Odontologia de Pernambuco (FOP) da Universidade de Pernambuco (UPE), em parceria com o Ministério da Saúde e com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), analisa justamente o “Percurso do Diagnóstico do Câncer de Boca em Pernambuco”. A mestranda responsável pelo estudo, Andreza Andrade, investigou os chamados “tempos assistenciais” no Sistema Único de Saúde (SUS). Ela explica que a demora para iniciar o tratamento é o grande nó da rede pública. “A gente encontrou diversas dificuldades. Por exemplo, no percurso para o paciente identificar que ele está doente, a gente viu muita falta de informação em saúde mesmo que ele não conseguia identificar os sinais que ele tinha como algo problemático. Eu comparei muito em relação ao câncer de mama. Quando um paciente sente alguma coisa diferente na mama, ele já vai fazer um exame. Os nossos pacientes de câncer de boca não. Eles passam meses até anos sentindo um carocinho que ele acha que é uma afta, tomam corticoide, às vezes passam uma pomada e passam anos com esse tipo de lesão até que começa a sangrar, a doer, a sair pus e aí é quando ele busca ajuda”, destaca.
Andreza Andrade cita ainda alguns dados constatados pela pesquisa acerca do tempo de espera de diagnóstico e tratamento da doença. “O tempo do paciente, ele durava anos. Então temos casos de dois anos, casos de um ano, meses, e aí a gente corta para o tempo do diagnóstico, que às vezes levava três meses, quatro meses, cinco meses, e o tempo do pré-tratamento, que na nossa pesquisa era menos de 60 dias”, diz.
Reduzir o tempo de espera é urgente. Mas, a verdadeira virada de chave para diminuir as 650 novas estimativas de casos anuais de câncer de cavidade oral no estado, segundo previsão do Instituto Nacional de Câncer (Inca), está na prevenção básica e no diagnóstico precoce. A Professora Associada de Diagnóstico Oral da UPE, Marianne Carvalho, aponta que um simples exame pode ajudar na prevenção do câncer. “É muito importante que a educação e saúde da população, ela esteja ali presente e é preciso que os dentistas, generalistas, saibam diagnosticar precocemente o câncer. Ele pode ser feito quando o paciente vai lá fazer um tratamento de canal, ele vai lá fazer uma restauração. Então, todo paciente que chega num consultório, é necessário que o cirurgião dentista faça o exame da mucosa, dura menos de 1 minuto, para tentar identificar fatores ali que podem ser câncer ou podem vir a ser um câncer, principalmente na população de risco, que é a população que faz uso do tabaco”, alerta.
A série de reportagens Silêncio que adoece traz o alerta de que o Maio Vermelho e o Dia Mundial Sem Tabaco continua em cada espelho, em cada consulta e em cada escolha saudável. Cuidar da sua boca é silenciar o câncer.
Com edição de Daniele Monteiro e sonorização de Lucas Barbosa, reportagem Maria Luna.





