Luchino Visconti, célebre cineasta italiano (aristocrata e comunista) construiu uma filmografia, baseada na nostalgia de formas de vida social em extinção ou em transformação. Chama à atenção o tom nostálgico e melancólico com que trata seus personagens, sejam individuais ou coletivos. O Leopardo, Morte em Veneza, Os irmãos Rocco, O Inocente e outros, a temática recorrente do autor era esse olhar preocupado em descrever a agonia ou fim de uma sociedade. E o fez de forma magistral, como registro histórico e saudoso.
A nostalgia está também em outros cineastas italianos ou americanos. No Brasil, surgiu recentemente a questão dos filmes que retratam nossa paisagem urbana e social. Realizar filmes sobre a sua cidade, sua cultura, seus cinemas, pontes e praças de outrora é fazer um cinema nostálgico melancólico, a ponto de um crítico já falecido chamar de “provinciano”, “local telúrico”, e não universal? Seria a nostalgia pela sua aldeia uma forma recorrente de voltar às origens, valorizá-las ou relembrá-las?
Ariano Suassuna que nunca negou as origens picaretas de sua obra, nunca deixou de repetir a fórmula de Tolstói, pinte sua aldeia e serás universal. Mas Ariano não era cineasta nem tinha a pretensão de ganhar o Oscar. Ele se contentava em extrair os elementos picaretas da literatura de cordel para arrancar gargalhadas do público, nunca se preocupou com a dimensão humanista e mais geral de seu trabalho. Mas os filmes atuais nada têm de picaretas, possuem outra intenção mais séria, social, histórica e documental. O ponto dollens é este o cinema que estão surgindo. Aí além da narrativa nostálgica e regional para se tornar não mero divertimento, reconhecimento ou relembrando, mas uma genuína obra de arte.
P. S. Devemos lamentar o fim ou a mudança de uma forma de vida que se confunde com a nossa identidade e fazer uma catarse ou sublimação através de uma narrativa fílmica ou literária e reconhecer nela um reconhecimento universal?
Michel Zaidan Filho é cientista político.










