Certa vez, o ex-governador de Pernambuco,Miguel Arraes, convidou o também ex-governador de Pernambuco, Joaquim Francisco, para uma conversa amistosa. O diálogo girou em torno de uma pesquisa encomendada, visando às eleições municipais. Para surpresa, ela apresentava um dado interessante na qual eleitorado recifense, dizia não mais querer votar nos chamados políticos de carreira, mas que a cidade precisava de um gerente. De maneira irônica, Miguel Arraes perguntou a Joaquim Francisco se ele estava desejoso em apoiar um gerente para concorrer à prefeitura da cidade do Recife. O tempo passou, e o candidato apoiado pelo ex-governador cearense foi o seu neto,Eduardo Campos, e o de Joaquim Francisco foi André de Paula, mas, ao invés dos recifenses elegerem um “gerente”, preferiram reconduzir ao comando do município, o ex-prefeito Jarbas Vasconcelos.
O quadro atual, vivenciado pela política brasileira, guardada as devidas proporções, goza de alguma semelhança com o que ocorrera na pesquisa feita noRecife. Muito se fala que o Brasil precisa mudar e,para tanto, deve expurgar da política lideranças que se encontram, no cenário, há bastante tempo.Recheado de discursos forjados em um pseudo-maniqueísmo, as principais pré-candidaturas à Presidência da República, alimentam-se da “polarização”. Quanto mais se digladiarem na retórica, permanecem vivas, na mente do eleitor, criando barreiras para o surgimento de possíveis concorrentes com reais chances de vitória. Mesmo assim, grande parte do eleitorado diz que deseja renovação, mas, até o momento, não tem sido o que as pesquisas estão apontando.
Olinda, 25 de julho de 2026.
Sem ódio e sem medo.
Hely Ferreira é cientista político, consultor e palestrante.








