Em meio às manifestações pelo pagamento do auxílio emergencial voltado às famílias prejudicadas pelas chuvas no Recife, denúncias de agressões durante o ato chamaram a atenção dos vereadores Douglas Brito (Avante) e Cida Pedrosa (PCdoB). Os parlamentares acionaram órgãos do Governo de Pernambuco e instituições de controle para investigar a situação.
Três mulheres teriam sido vítimas de violência policial durante o protesto, realizado no dia 8 de julho, nas imediações da Ponte Marechal Castelo Branco, conhecida como Ponte da Caxangá, na Zona Oeste do Recife.
Inicialmente, as vítimas procuraram Douglas Brito, que, após tomar conhecimento do caso, acolheu os relatos, iniciou uma articulação institucional e acionou Cida Pedrosa, presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara Municipal do Recife.
Após uma reunião realizada na manhã desta sexta-feira (10), os ofícios foram formalmente assinados e encaminhados por Cida Pedrosa, no exercício da presidência da comissão.
Foram encaminhadas representações com os relatos e cobrando providências à governadora Raquel Lyra, à Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, à Corregedoria-Geral da SDS, à Secretaria da Mulher de Pernambuco, ao Ministério Público de Pernambuco e à Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Pernambuco.
Os vereadores solicitaram a investigação dos fatos, a responsabilização dos envolvidos, proteção às vítimas e medidas para impedir a divulgação de fotos e dados pessoais. Também pediram à governadora Raquel Lyra a inclusão de famílias afetadas pelas chuvas no auxílio emergencial e o pagamento das que ainda aguardam o benefício.
Segundo os relatos encaminhados aos parlamentares e registros em vídeo, três mulheres teriam sido alvo de agressões e intimidação durante a manifestação. Uma foi imobilizada e arrastada por policiais; outra desmaiou após ser atingida por gás de pimenta; e uma comunicadora afirmou ter sido ameaçada enquanto registrava a ação. Também há denúncias de compartilhamento de fotos e dados pessoais das vítimas em grupos de policiais militares. Diante do caso, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher solicitou a abertura de investigação, o afastamento cautelar dos agentes investigados, proteção às vítimas, preservação de suas identidades e o encaminhamento das denúncias ao Ministério Público de Pernambuco. Os vereadores afirmaram que acompanharão as investigações e cobrarão a responsabilização dos envolvidos.
“Fomos procurados pelas vítimas e, diante da gravidade dos relatos e das imagens, iniciamos imediatamente essa articulação. Acionei Cida por ela presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e porque esse caso exige uma resposta institucional firme. Estamos falando de mulheres que foram às ruas reivindicar um auxílio necessário para reconstruir suas vidas e que relatam ter sido agredidas, ameaçadas e intimidadas. Elas precisam ser protegidas e ouvidas com seriedade”, afirmou Douglas Brito.
Cida Pedrosa reforçou que o exercício do direito à manifestação e o trabalho de profissionais da comunicação não podem ser respondidos com violência ou intimidação.
“Os relatos são gravíssimos. Uma mulher recebeu um tapa, foi imobilizada com um mata-leão e arrastada. Outra desmaiou após ser atingida com gás de pimenta. Uma terceira foi ameaçada enquanto registrava o que estava acontecendo. Como presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, assinei os ofícios para cobrar investigação rigorosa, responsabilização e proteção imediata às vítimas. Manifestação social não é crime, liberdade de imprensa não é crime e nenhuma mulher pode ser tratada dessa forma por agentes do Estado”, declarou Cida.
Douglas Brito e Cida Pedrosa afirmam que acompanharão as respostas dos órgãos acionados e cobrarão uma investigação célere, independente e transparente, com a preservação integral da identidade, da segurança e dos direitos das vítimas.







