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O corre nosso de cada dia: sonhos que sobrevivem com o empreendedorismo

Conheça quem sonha sem abrir mão da sobrevivência nas favelas do Grande Recife

Por: Redação CBN

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É comum que, nas periferias, os sonhos sejam esquecidos nas rotinas quase intermináveis dos moradores. Em territórios marcados pela desigualdade, planejar um futuro precisa disputar espaço com a urgência de pagar as contas diante de questões como desemprego, preconceitos e falta de políticas públicas. É nesse cenário que o empreendedorismo pode ser uma alternativa para aqueles que se recusam a abandonar seus sonhos, mas também não podem abrir mão da sobrevivência. 

Neste ano, o Instituto Data Favela realizou uma pesquisa que apontou: ter o próprio negócio é o maior sonho profissional dos moradores das comunidades urbanas brasileiras, sendo compartilhado por 38% dos entrevistados. Para Thiago Henrique, morador da comunidade de Dois Unidos, na Zona Norte do Recife, esse sonho tem gosto, cheiro e até cardápio definido. “Meu sonho, pensando no meu futuro profissionalmente, é abrir uma cafeteria, viver do meu negócio”, conta.

Aos 22 anos, o jovem já faz do empreendedorismo uma realidade possível dentro da própria casa. Para complementar a renda familiar, faz bolos, doces e salgados sob encomenda. “Eu comecei a empreender vendendo empada na rua. No início foi mais por necessidade. Eu tinha 17 anos, já no último ano do ensino médio, quando tive a notícia de que eu ia ser pai”.

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Acervo pessoal/Thiago Henrique

Apesar de investir no instinto empreendedor desde muito cedo, Thiago ainda não consegue depender exclusivamente do seu negócio. Uma realidade que não é só dele, já que 19% de moradores de favelas afirmam que precisam conciliar as atividades autônomas com algum outro trabalho, segundo levantamento do Instituto Data Favela para a empresa VR. “Quando a gente é pai ou é mãe, a gente sempre busca aquela certeza de que não vai faltar nada. Então eu busquei um emprego de carteira assinada que me desse todos os meus direitos e me acobertasse”.

Além de trabalhar como porteiro, dar conta das encomendas e lidar com as responsabilidades da paternidade, o jovem também insiste em outro sonho: a graduação e, por isso, segue cursando Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS). “Eu nem sei dizer como eu concilio tudo isso, só sei que dá certo. A única coisa que eu não faço, por enquanto, é descansar”.

“Em frente a muitas dificuldades eu luto bastante para tentar construir alguma coisa. Eu nunca desisti, eu sempre insisti nisso, então eu acredito sim que eu sou um empreendedor”, afirma Thiago.
É fato que, nas favelas, tanto sonhar quanto empreender podem parecer caminhos incertos e exigem persistência. Mas também já é possível perceber como, cada vez mais, esses sonhos crescem junto ao território e ajudam a movimentar novas formas de pertencimento, de oportunidade e de coletividade.

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Acervo CBN

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