O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), de Pernambuco (MPPE) e a Receita Federal deflagraram uma operação, nesta quinta-feira (18), para apurar o funcionamento de 21 empresas de apostas em quota fixa (bets) que atuam sem autorização da Secretaria de Prêmio e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda. Ao total, 14 mandados de busca e apreensão foram expedidos contra pessoas físicas e jurídicas nos estados de Pernambuco, Ceará e São Paulo.
Segundo a Receita Federal, as investigações foram iniciadas a partir da criação, pela prefeitura de Bodó, no Rio Grande do Norte, de uma autarquia que passou a credenciar bets de forma irregular, para dar aparência de legalidade às plataformas de apostas online. Apesar da Lotseridó ter encerrado as atividades em outubro de 2025, as bets seguem ativas, e a estimativa é de que a movimentação financeira chegue a quantias bilionárias.
Cerca de 63 agentes, incluindo policiais civis e militares dos três estados, estiveram nas cidades de Recife, Caruaru e Toritama, em Pernambuco; Fortaleza, no Ceará; e São Paulo e Iguape, no estado de São Paulo. Na operação “Conto da Sorte”, o objetivo é apreender documentos e outros elementos que auxiliem as investigações. Também houve bloqueio de ativos financeiros de cerca de R$ 145 milhões.
Como os golpes aconteciam
As investigações apontam que o grupo criou dezenas de bets e instituições de pagamento, sem capacidade econômica, que eram repassadas formalmente a terceiros – entre eles, parentes dos investigados. Alguns dos “sócios” eram, inclusive, beneficiários do auxílio emergencial.
De acordo com o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o grupo invadia sistemas de computadores de órgãos públicos e injetava códigos em páginas de boa reputação, como sites com finais “.gov.br” e “edu.br”. Essa adulteração levava usuários para os sites ilegais de apostas, transmitindo uma falsa credibilidade.
O grupo apresentou um crescimento patrimonial expressivo e movimentou grandes volumes de recursos financeiros. A própria Prefeitura de Bodó demonstrou, em manifestações públicas, que as empresas arrecadaram cerca de R$ 415 milhões em apenas 10 meses de funcionamento, gerando um repasse de R$ 8,3 milhões para os cofres municipais. Uma delas obteve créditos de R$ 4,6 bilhões no ano passado.





