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Procurador Pedro Jorge é incluído no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria

Reconhecimento homenageia o procurador assassinado após denunciar um esquema milionário de desvio de recursos destinados a agricultores no Sertão de Pernambuco

Por: Redação CBN

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O procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva passou a integrar oficialmente o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A homenagem foi instituída por meio de lei sancionada pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB).

A legislação teve origem em um projeto apresentado, em março de 2024, pela senadora pernambucana Teresa Leitão (PT). A proposta avançou no Congresso Nacional e recebeu aprovação antes de ser transformada em lei. A cerimônia de sanção ocorreu no Palácio do Planalto e contou com a presença de Alckmin, da senadora, de representantes da Associação Nacional dos Procuradores da República e de Roberta Viegas, uma das filhas de Pedro Jorge.

Pedro Jorge ficou conhecido por conduzir as investigações que revelaram o chamado “Escândalo da Mandioca”, esquema de fraudes registrado entre 1979 e 1981 em uma agência do Banco do Brasil, no município de Floresta, no Sertão de Pernambuco. As apurações mostraram que o grupo utilizava documentos falsificados e propriedades inexistentes para obter financiamentos agrícolas do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).

Após receber os recursos, os envolvidos simulavam perdas nas lavouras, alegando seca ou pragas, para solicitar indenizações do seguro agrícola. O prejuízo aos cofres públicos, em valores corrigidos, é estimado em cerca de R$ 20 milhões.

Mesmo diante de ameaças de morte, o procurador levou o caso à Justiça e conseguiu que 19 pessoas se tornassem rés, entre elas um deputado estadual, militares, servidores públicos e empresários que se passavam por agricultores para obter os financiamentos de forma irregular.

Poucos meses após a Justiça aceitar a denúncia, Pedro Jorge foi assassinado no dia 3 de março de 1982. Ele foi atingido por três disparos de arma de fogo quando saía de uma padaria, em Olinda.

Pelas investigações, seis homens foram condenados pela participação no homicídio: Elias Nunes, Euclides de Souza, José Lopes, Heronides Cavalcanti, Jorge Ferraz e Irineu Gregório Ferraz.

Apontado como mandante do crime, o ex-major da Polícia Militar José Ferreira dos Anjos permaneceu foragido durante 12 anos, até ser localizado e preso na década de 1990. Condenado a 32 anos e seis meses de prisão pelos crimes de homicídio e falsidade ideológica, ele cumpriu 10 anos e sete meses da pena antes de ser beneficiado por um indulto presidencial concedido em 2003 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). José Ferreira dos Anjos morreu em novembro de 2018.

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Acervo CBN

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