O município do Cabo de Santo Agostinho, localizado na Região Metropolitana do Recife, voltou a figurar entre as áreas com maiores índices de criminalidade no Brasil. Segundo informações apresentadas no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a cidade alcançou o 8º lugar no ranking nacional, registrando uma taxa de 65,1 assassinatos para cada grupo de 100 mil moradores. Em um levantamento anterior, o município ocupava a 5ª colocação, com um índice de 73,3 mortes por 100 mil habitantes, o que representa uma queda de quatro posições.
No cenário estadual, Pernambuco registrou uma retração de 9,3% no indicador geral de assassinatos ao longo dos últimos dois anos, passando de 36,4 para 33 mortes por 100 mil pessoas. A variação permitiu que o estado melhorasse sua colocação no panorama nacional, saindo do 4º para o 5º lugar entre os mais violentos. Ao todo, foram contabilizadas 3.159 Mortes Violentas Intencionais (MVIs) no ano de 2025, contra 3.474 ocorrências registradas em 2024. A redução foi impulsionada pela queda nos homicídios dolosos, que recuaram 9,6%, nos casos de latrocínio, com queda de 25,6%, e nas lesões corporais seguidas de morte, que caíram 9,6%. Em contrapartida, as fatalidades decorrentes de intervenção policial registraram um salto expressivo de 32%, subindo de 78 para 103 casos no mesmo intervalo. Entre os municípios da Grande Recife, São Lourenço da Mata também apresentou evolução positiva, caindo da 6ª para a 14ª posição nacional após ter a taxa recuada de 73 para 53,3 assassinatos por 100 mil habitantes.
Apesar do recuo nos números globais de letalidade, os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública acenderam um alerta quanto ao aumento da violência de gênero e dos crimes de ódio. Em Pernambuco, o total de feminicídios subiu 12,8% em 2025, saltando de 78 para 88 vítimas fatais e passando a representar mais de 41% de todas as mortes violentas contra mulheres no estado. Na mesma linha, os registros de violência contra a comunidade LGBTQIA+ apresentaram alta em todas as modalidades pesquisadas, com elevação nos casos de racismo por homofobia ou transfobia (28,1%), lesão corporal dolosa (21,5%), agressões sexuais (7%) e homicídios motivados por preconceito (4,3%).
No âmbito nacional, o relatório indicou que o Brasil atingiu a menor taxa de assassinatos desde o início da série histórica em 2012, ficando em 19,1 por 100 mil habitantes, com um total de 40.775 vítimas. As dez cidades com maiores índices de violência do país estão concentradas na Região Nordeste, lideradas por Maranguape, no Ceará. O levantamento evidenciou ainda um recorde no número de feminicídios em todo o território nacional, além de crescimentos acentuados em crimes de cyberbullying contra jovens, registros de pornografia infantil e no contingente populacional do sistema prisional, que já se aproxima da marca de um milhão de detentos.






