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O corre nosso de cada dia: negócios que impulsionam comunidades na RMR

Conheça quem faz do empreendedorismo uma forma de movimentar e colaborar com território

Por: Redação CBN

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Alguns sonhos são grandes demais para caber em uma única história. Nas favelas brasileiras, onde as vivências são naturalmente coletivas, não seria diferente. Para alguns, fazer seu negócio prosperar significa, acima de tudo, abrir caminhos para o desenvolvimento do território ao qual pertencem. 

Aos 32 anos, Marlon Marley, o ‘Marley Du Corte’, faz parte dos 65% que enxergam no empreendedorismo uma maneira de alavancar seu território, segundo o Instituto Data Favela. “Eu sou uma pessoa que utilizou dois meios que tinha para tentar fazer uma forma de resistência dentro da própria comunidade, já que o quadro da beleza não é muito direcionado ao público negro e periférico”, conta o empreendedor.

Leia também – O corre nosso de cada dia: sonhos que sobrevivem com o empreendedorismo

Nascido e criado na comunidade do Alto de Santa Isabel, na Zona Norte do Recife, Marley comanda uma barbearia que, sem dúvidas, carrega a identidade do lugar onde cresceu e hoje é o seu meio de vida. No espaço, ele aposta na valorização do estilo das ruas, com referências estéticas da cultura negra e periférica. 

Acervo pessoal/Marlon Marley

Para priorizar a vivência de cada um que senta na cadeira da barbearia em busca de autoestima, pertencimento e cuidado, Marley adotou um valor social para os moradores da comunidade e de favelas adjacentes. Além disso, ele também participa de ações em outras periferias da cidade para realizar atendimentos gratuitos.

“Deixa de ser sobre o dinheiro, né? Passa a ser sobre se olhar no espelho e se sentir bem, se sentir acolhido, porque normalmente não são. E para mim é essa sensação maravilhosa de ‘eu também consigo e também posso estar aqui nesse lugar que também me pertence’. Eu me vejo realizado por ter conseguido chegar neste lugar que eu estou e conseguindo, ainda assim, fazer com que outras pessoas também acessem esse produto”, reflete.

Acervo pessoal/Marlon Marley

Apesar da importância da teoria, Marley defende que nem todo aprendizado do empreendedorismo vem de cursos, planilhas ou técnicas específicas. Parte dele nasce das conversas, das trocas e do contato olho no olho. “Ter amizades dentro do negócio, inclusive dentro da periferia, é um auxílio muito bom. Poder conhecer pessoas que também conseguiram se realizar dentro da sua comunidade e, a partir do diálogo, conseguir ser direcionados para caminhos, sejam eles de leis e direitos a contabilidade e contas, por exemplo”.

Mais do que consolidar a própria trajetória, Marley quer ver esse movimento alcançar outras pessoas. “Meu sonho é conseguir fazer com que essa ideia se propague”, afirma. E é com essa troca de experiências que os territórios se movimentam. Afinal, o dia a dia nas favelas exige colaboração para que, juntos, esses empreendedores possam vencer obstáculos enraizados, que persistem e que nem sempre se resolvem com talento, esforço ou disposição para trabalhar – quando o que muitas vezes falta é: oportunidade. 

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Acervo CBN

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