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O corre nosso de cada dia: o empreendedorismo nas favelas do Grande Recife

Conheça quem empreende e reinventa o futuro dentro desses territórios

Por: Redação CBN

Ao contrário do que muitos pensam, as favelas são um território fértil para o florescimento de sonhos. Não se deixe enganar pelas ruas esburacadas, pelos ônibus lotados, pelas jornadas duplas, às vezes triplas, de trabalho. É diante de tudo isso que jovens somam a criatividade ao instinto de sobrevivência para movimentar a economia local e reinventar seus próprios futuros.

Em 2025, o Instituto Data Favela, por meio do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que mais de cinco milhões de moradores de comunidades urbanas brasileiras empreendem ou trabalham por conta própria. Esse é o caso de Pâmela Bandeira, de 27 anos, moradora da comunidade do Alto do Pascoal, na Zona Norte do Recife. “Eu comecei na ideia de querer ganhar dinheiro, sem ter muita orientação de como administrar um negócio. Não tive oportunidade de continuar estudando porque eu precisava ajudar minha mãe financeiramente com as despesas de casa”, conta a empreendedora.

A jovem iniciou sua trajetória no ramo da beleza logo após se formar no ensino médio, realizando atendimentos à domicílio como designer de sobrancelhas. Hoje, a empreendedora ampliou os serviços estéticos com extensões de cílios e limpeza de pele, além de conquistar o sonho do próprio estúdio, dentro da própria casa, reformado com as próprias mãos. “O meu estúdio é uma extensão da minha casa. E a minha mãe me ajudou muito nesse processo de reforma, pintura, ela fez muita coisa. Ela botou porta, botou pia, e me deu um suporte muito grande em outras coisas”

Arquivo pessoal/Pâmela Bandeira

Mas, apesar de movimentar mais de R$ 300 bilhões por ano, ainda de acordo com o Data Favela, empreender na comunidade também exige enfrentar barreiras diárias que, muitas vezes, começam antes mesmo do atendimento. “Por exemplo, uma das grandes problemáticas daqui é em relação ao ônibus, porque a gente só tem a linha ‘Alto do Pascoal’ para atender o pessoal aqui de cima. Ou seja, isso também dificulta a vinda dos clientes para cá”.

Além dos obstáculos que já atravessam o dia a dia de quem vive nesses territórios, empreendedores como Pâmela também precisam aprender, quase sempre sozinhos, a administrar um negócio sem apoio técnico, orientação ou políticas públicas voltadas à realidade das comunidades. “A grande dificuldade de ser empreendedor periférico é realmente a falta de orientação, sabe? Foi só neste ano que eu consegui um curso gratuito pelo Sebrae que explodiu minha cabeça. Se eu soubesse de todas as informações que eu aprendi nesse curso antes, talvez meu negócio estivesse maior”.

Os desafios do empreendedorismo para moradores de comunidades urbanas ainda passam pelas rotas e sonhos que precisam ser recalculados no meio do caminho. “Quando eu comecei na área da beleza eu era musicista e meu sonho era fazer faculdade de música. Na época, eu estudava violão, violoncelo e fazia canto coral”, relata Pâmela.

Para se dedicar ao negócio, a empreendedora precisou abrir mão da bolsa no Conservatório Pernambucano de Música. No entanto, o desejo de cursar graduação não foi esquecido. “Eu quero fazer do meu negócio um um negócio mais próspero, e também quero usufruir disso para estudar”.

Agora, Pâmela aposta no crescimento do estúdio para retomar o projeto interrompido. Na favela, viver do próprio negócio ainda pode ser um sonho construído entre escolhas difíceis, improvisos e, especialmente, insistência diária de quem aprendeu cedo que desistir não é e nunca será uma opção.


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Acervo CBN

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