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Setores pernambucanos estimam impacto significativo após novo tarifaço dos EUA

A taxa de 25% passa a valer a partir da próxima quarta-feira (22) para produtos como etanol e uva

Por: Redação CBN

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Por Lucas Arruda

O novo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos (EUA) a produtos brasileiros impacta diretamente as exportações pernambucanas. Setores como o socroalcooleiro e de frutas estimam perdas significativas a partir da vigência da taxação, a partir da próxima quarta-feira (22), com capacidade de inviabilizar ou reduzir a margem de lucratividade dos exportadores.

Nesta quinta-feira (16), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos anunciou a aplicação da taxa a partir da investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que concluiu que o Brasil adota práticas comerciais desleais em seis áreas. O governo Trump acusa o Brasil de prejudicar as empresas americanas por meio do PIX; barreiras ao etanol; tratamento dado a big techs; falhas no combate ao desmatamento e pirataria.

O presidente do Sindaçúcar Pernambuco, Renato Cunha, explica que há um interesse da indústria norte-americana em exportar o etanol de milho produzído no país para o Brasil, dada a ausência de espaço no próprio mercado por conta da força do setor petroleiro. Porém, a demanda do Brasil é contemplada pela produção interna. Ainda segundo Renato, a criação da Seção 301 serviu apenas para respaldar uma prática distorsiva de tarifas.

“Esse é o quadro, onde nós não temos necessidade de importar etanol e ninguém vai importar simplesmente porque há uma exigência de fora. As coisas não funcionam dessa forma. Reconhecemos que eles são poderosos, são fortes, mas o Nordeste não tem condições e nem vai ceder um espaço que nós não temos e que prejudica os nossos empregos, toda a cadeia produtiva da cana no nosso país”, declarou. 

Quanto à produção do Vale do São Francisco, no Sertão de Pernambuco, apenas a manga ficou isenta da nova taxação. No caso da uva brasileira, um dos principais produtos exportados para o mercado norte-americano, a medida elevará a tarifa total para 35%. De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), isso reduz significativamente a competitividade do produto e traz desafios para a cadeia produtiva.

Uvas do Vale do São Francisco – Fernanda Birolo/Embrapa

Em 2025, a uva foi responsável pela exportação de cerca de US$ 41,5 milhões aos EUA. O melão e a melancia também foram taxados, embora com impacto menor, em razão do perfil e do volume exportado desses produtos para o mercado norte-americano.

“A Abrafrutas já está em contato com os produtores e exportadores, orientando o setor sobre os procedimentos necessários diante do novo cenário. Embora a medida possa impactar diretamente os embarques destinados aos Estados Unidos, a entidade trabalha para identificar alternativas que reduzam ao máximo os prejuízos aos produtores, seja por meio da diversificação de mercados, ou da adoção de novas estratégias comerciais”, pontua a Abrafrutas em nota.

O Palácio do Planalto declarou que dará início aos procedimentos para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, e que o caso deve ser levado ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). Ao total, a taxação atinge 18% das exportações brasileiras aos EUA. O governo também disse que vai anunciar um programa de apoio às empresas afetadas.

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Acervo CBN

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